
Última modificação em 30 de abril de 2026 às 09:52
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar da alta no curto prazo, o índice é o menor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012.
O resultado ficou dentro das expectativas do mercado e reflete um aumento no número de pessoas desocupadas nos primeiros meses do ano.
Ao todo, 6,6 milhões de brasileiros estavam sem trabalho no período, alta de 19,6% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a mais 1,1 milhão de pessoas. Na comparação com o mesmo período de 2025, porém, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos nessa condição.
A população ocupada somou 102 milhões de pessoas. O contingente recuou 1% no trimestre, mas avançou 1,5% em relação ao ano passado, indicando recuperação em períodos mais longos.
O nível de ocupação — indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o resultado reflete movimentos sazonais típicos do início do ano.
“No comércio, por exemplo, a perda de pessoal se concentrou principalmente em ocupações como vendedores, balconistas e atendentes. Houve também um movimento na educação fundamental, especialmente na rede pública municipal, ligado ao ciclo de contratos temporários”, explicou.
Para a pesquisadora, o comportamento é recorrente nesse período.
“Esse é um comportamento que, de modo geral, ocorre nos primeiros trimestres de cada ano, e este não foi diferente.”
Informalidade e desalento
A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 14,3% no trimestre encerrado em março, alta de 0,9 ponto percentual em relação ao período anterior. Na comparação anual, no entanto, houve recuo de 1,6 ponto percentual.
Ao todo, 16,3 milhões de pessoas estavam subutilizadas, número 6,6% maior no trimestre, mas 10,1% menor em relação ao mesmo período do ano passado.
Já a população desalentada — formada por pessoas que desistiram de procurar emprego — ficou em 2,7 milhões. O grupo permaneceu estável no trimestre, mas apresentou queda de 15,9% em um ano.
A taxa de informalidade recuou para 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores.
Renda bate recorde
Mesmo com a alta do desemprego, os rendimentos continuaram avançando. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.722, com alta de 1,6% no trimestre e de 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo o maior valor da série histórica.
A massa de rendimentos — soma de todos os salários pagos no país — alcançou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% maior na comparação anual, também em nível recorde.
Entre os setores com maior avanço na renda média no trimestre estão:
- Comércio e reparação de veículos: alta de 3%;
- Administração pública, educação e saúde: alta de 2,5%.
Na comparação anual, os maiores aumentos foram registrados nos setores de construção, comércio, tecnologia da informação, administração pública, serviços domésticos e outros serviços.
Mercado mostra sinais de desaceleração
Economistas avaliam que, apesar do cenário ainda positivo, alguns indicadores apontam para uma acomodação gradual do mercado de trabalho.
Para André Valério, economista sênior do Inter, a alta do desemprego reflete principalmente fatores sazonais, mas já há sinais de desaceleração.
“Vemos a continuidade da tendência de moderação do mercado de trabalho, com a taxa alcançando 5,7% em março, o maior valor desde setembro de 2025 nessa métrica”, afirmou.
Já o economista Maykon Douglas destacou que o aumento do desemprego no início do ano costuma ocorrer após o encerramento de contratos temporários.
“A massa salarial voltou a se acelerar, com crescimento real próximo de 6,4% em base anual”, disse.
Segundo os especialistas, a expectativa é de desaceleração gradual nos próximos meses, mas sem uma reversão brusca no mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: G1