
Última modificação em 23 de abril de 2026 às 11:01
O conceito de envelhecimento tem passado por uma transformação significativa no Brasil. Cada vez mais, pessoas acima dos 60, 70 e até 80 anos mantêm rotina ativa, autonomia e qualidade de vida elevada — um grupo que vem sendo chamado de “superidosos” e que desperta crescente interesse da ciência e da sociedade.
Segundo especialistas, essa mudança está diretamente ligada aos avanços da medicina e ao maior acesso à informação. Para a endocrinologista Rebeca Cavalcante, o envelhecimento deixou de ser visto apenas como um processo de perdas. “Hoje, compreendemos a importância de envelhecer com saúde, mantendo independência, autonomia e funcionalidade. É uma fase que pode ser ativa, produtiva e plenamente aproveitada”, afirma.
O novo perfil também reflete transformações no estilo de vida. De acordo com o cirurgião plástico Euler Ribeiro Filho, a evolução nas áreas médica, nutricional e informativa ampliou a capacidade de longevidade da população. Ele ressalta que o conceito de idoso estabelecido pela Organização Mundial da Saúde já não corresponde às limitações observadas décadas atrás.
A nutricionista Karol Gadelha destaca que o ambiente atual favorece escolhas mais saudáveis, com maior adesão à prática de atividades físicas e mudanças na indústria alimentícia, que passou a oferecer produtos com menos sódio, açúcar e maior teor de proteína.
Hábitos e prevenção impulsionam longevidade
Entre os principais fatores para um envelhecimento ativo estão hábitos mantidos ao longo da vida. Especialistas apontam a prática regular de exercícios — com foco em força, mobilidade e equilíbrio —, alimentação equilibrada, sono de qualidade, acompanhamento médico e cuidados com a saúde mental como pilares essenciais.
Além disso, vínculos sociais e senso de propósito têm papel determinante na longevidade com qualidade. A permanência no mercado de trabalho, o convívio social e a sensação de utilidade contribuem para o bem-estar físico e emocional.
Outro ponto central é o avanço da medicina preventiva, que permite identificar riscos antes do surgimento de doenças. O monitoramento contínuo e estratégias personalizadas — incluindo avaliação nutricional e controle de processos inflamatórios — têm ampliado a expectativa e a qualidade de vida da população idosa.
Desafios persistem
Apesar dos avanços, envelhecer com qualidade ainda representa um desafio no país. Acesso limitado à saúde preventiva, custos elevados de um estilo de vida saudável, além de fatores como solidão e sedentarismo, ainda impactam grande parte da população.
Para especialistas, o envelhecimento saudável exige planejamento ao longo da vida. A adoção precoce de hábitos saudáveis e o acompanhamento contínuo são fundamentais para garantir mais anos de vida com autonomia e bem-estar.
Fonte: Roraima 1