
Última modificação em 16 de abril de 2026 às 08:54
O avanço da Inteligência Artificial tem ampliado a circulação de conteúdos enganosos em escala global e elevado os riscos para processos democráticos, segundo levantamento divulgado pela Agência Lupa.
O estudo, intitulado “O impacto da IA no Fact-checking Global”, analisou 1.294 checagens realizadas em pelo menos dez idiomas e identificou que 81,2% dos casos de desinformação com uso de IA surgiram nos últimos dois anos, entre janeiro de 2024 e março de 2026. Temas como eleições, conflitos e golpes lideram entre os conteúdos falsos.
De acordo com a gerente de inovação da Lupa, Cristina Tardáguila, a tecnologia está transformando o cenário da desinformação. Segundo ela, a maior parte dos conteúdos analisados por checadores recebe classificação de falso ou enganoso, indicando que ferramentas de IA têm sido amplamente utilizadas para distorcer informações.
Diversidade de formatos e maior alcance
O levantamento mostra que a desinformação não se limita a vídeos manipulados. Conteúdos falsos circulam também em áudios, imagens e textos, muitas vezes com alto grau de realismo — incluindo os chamados deepfakes, que simulam rostos e vozes.
A preocupação cresce especialmente em anos eleitorais. Segundo a pesquisa, a tendência é de aumento no volume de conteúdos enganosos impulsionados por IA, o que pode impactar diretamente a tomada de decisão de eleitores em diferentes países.
Crescimento acelerado dos casos
Os números indicam uma expansão rápida desse tipo de desinformação. Em 2023, foram registrados 160 casos. Já em 2025, o total saltou para 578. Apenas nos primeiros meses de 2026, até março, já haviam sido contabilizadas 205 verificações.
O estudo também aponta que o fenômeno é global e multilíngue. A maior incidência foi registrada em inglês (427 casos), seguida por espanhol (198) e português (111).
Educação midiática como resposta
Diante do cenário, especialistas defendem o fortalecimento da educação midiática como principal estratégia de enfrentamento. A proposta é capacitar a população para identificar conteúdos falsos e compreender como funcionam as tecnologias de manipulação digital.
A pesquisa destaca ainda a necessidade de políticas públicas voltadas à alfabetização midiática nas escolas, além da atuação conjunta de empresas de comunicação e agências de checagem.
Para os pesquisadores, a disseminação de informação de qualidade funciona como uma espécie de “vacina” contra a desinformação, preparando a sociedade para reconhecer conteúdos manipulados.
O levantamento utilizou como base checagens indexadas na plataforma Fact Check Explorer, do Google, e reforça o alerta de que 2026 tende a registrar aumento significativo no uso de IA para produção de conteúdos enganosos.
Fonte: Agência Brasil