
Última modificação em 14 de abril de 2026 às 09:56
A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (13) que tem sido aconselhada por familiares a deixar o cargo devido aos ataques machistas que recebe com frequência.
A declaração foi feita durante participação na palestra “O Brasil na visão das lideranças públicas”, promovida pelo Instituto FHC, em São Paulo.
Segundo a ministra, além das ofensas, há também ameaças direcionadas a integrantes da Corte, o que pode desestimular magistrados a aceitarem vagas no Supremo.
“Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique. Para nós mulheres, a dificuldade é enorme. O discurso é sexista, machista e desmoralizante”, afirmou.
Pressão e ameaças
Cármen Lúcia destacou que os ataques extrapolam críticas institucionais e atingem sua vida pessoal. Ela relatou que familiares frequentemente sugerem que deixe o cargo após anos de atuação no tribunal.
A ministra também voltou a mencionar episódios recentes de ameaças. No mês passado, segundo ela, houve comunicação sobre uma ameaça de bomba que teria como alvo sua morte.
Momento de tensão
Durante o evento, a magistrada reconheceu que o Supremo vive um período de maior exposição e questionamentos por parte da sociedade, mas reforçou que sua atuação segue estritamente a lei.
“Da minha parte, podem dormir tranquilos. Tento fazer o melhor todos os dias, sempre com base na lei”, declarou.
Histórico de ataques
Não é a primeira vez que Cármen Lúcia denuncia ser alvo de ataques de cunho machista. Como única mulher entre os ministros do STF, ela já expôs em outras ocasiões a pressão enfrentada no exercício do cargo, especialmente em meio ao aumento da polarização política e da visibilidade da Corte.
Fonte: Agência Brasil