
Última modificação em 2 de abril de 2026 às 09:14
Mesmo quem bebe moderadamente pode estar correndo mais risco do que imagina. Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia aponta que concentrar o consumo de álcool em um único dia — prática comum em fins de semana — pode triplicar as chances de danos graves no fígado.
A pesquisa destaca que o padrão de consumo é tão importante quanto a quantidade ingerida. Entre pessoas com Doença Hepática Esteatótica associada à Disfunção Metabólica (DHEM), esse comportamento aumenta significativamente o risco de desenvolver fibrose hepática avançada, condição marcada pela formação de cicatrizes no órgão.
Risco maior para um em cada três adultos
Segundo o estudo, cerca de um terço da população adulta apresenta esse tipo de doença hepática, que está associada a fatores como obesidade, Diabetes tipo 2, hipertensão e colesterol alto.
Entre esses indivíduos, o consumo episódico excessivo — definido como quatro ou mais doses em um dia para mulheres e cinco ou mais para homens, ao menos uma vez por mês — pode elevar em até três vezes o risco de fibrose avançada.
Os dados foram publicados na revista científica Gastroenterologia e Hepatologia Clínica e analisaram informações de mais de 8 mil adultos entre 2017 e 2023.
Como o álcool afeta o fígado
De acordo com os pesquisadores, ingerir grandes quantidades de álcool de uma só vez sobrecarrega o fígado, aumenta a inflamação e favorece a formação de cicatrizes.
O hepatologista Raymundo Paraná reforça que não há dose segura para quem já tem doença hepática.
“Toda vez que você faz uma ingestão alcoólica, você encharca mais o fígado de acetaldeído – um pró-inflamatório e um pró-fibrogênico – que pode aumentar a deposição de fibrose, cicatrizes no fígado. Isso faz o indivíduo evoluir para cirrose hepática e aumenta a inflamação que também estimula a fibrose”, explica o médico.
Além disso, o álcool também impacta o sistema imunológico e o perfil lipídico, aumentando triglicerídeos e colesterol LDL, o que eleva riscos cardiovasculares.
Tendência preocupa especialistas
O estudo também alerta que a doença hepática relacionada ao álcool mais que dobrou nas últimas duas décadas. Entre os fatores estão o aumento do consumo durante a pandemia e o crescimento de doenças metabólicas.
Outro ponto de atenção é que o consumo episódico excessivo é comum: mais da metade dos adultos analisados relataram esse comportamento.
Parar de beber pode reverter danos
Apesar dos riscos, pesquisas mostram que a interrupção do consumo de álcool pode trazer benefícios importantes, inclusive em casos avançados.
Estudos indicam que a abstinência pode não só frear a progressão da Cirrose hepática, mas também reverter complicações em até um terço dos pacientes.
Especialistas alertam, no entanto, que pessoas com dependência devem buscar orientação médica antes de parar de beber, devido ao risco de síndrome de abstinência.
O principal recado dos pesquisadores é claro: não basta beber menos — é preciso também evitar concentrar o consumo em poucos momentos.
Fonte: G1