
Última modificação em 30 de março de 2026 às 09:57
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra o HPV, principal forma de prevenção de diversos tipos de câncer. No entanto, a cobertura vacinal entre adolescentes brasileiros ainda está abaixo do ideal.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na última quarta-feira (25), mostram que apenas 54,9% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam ter sido vacinados contra o papilomavírus humano (HPV).
O vírus está diretamente ligado a 99% dos casos de câncer de colo do útero, além de estar associado a tumores de ânus, pênis, boca e garganta.
Proteção gratuita e baixa cobertura
A vacina contra o HPV está disponível em unidades de saúde de todo o país e é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária em que o imunizante apresenta maior eficácia, por ser aplicado antes do início da vida sexual.
Apesar disso, 10,4% dos estudantes entrevistados não receberam a vacina, enquanto 34,6% não sabem se foram imunizados. Os números representam cerca de 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção.
A pesquisa também revela que 30,4% dos jovens entre 13 e 17 anos já iniciaram a vida sexual. A média de idade da primeira relação é de 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas.
Em comparação com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2019, houve queda de 8 pontos percentuais na cobertura vacinal. Entre meninas, a redução foi ainda mais acentuada: 16,6 pontos, apesar de elas ainda apresentarem maior taxa de vacinação (59,5%) em relação aos meninos (50,3%).
Falta de informação pesa
Entre os adolescentes não vacinados, metade afirmou não saber que precisava tomar a vacina. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, o dado evidencia o impacto da desinformação e da falta de orientação.
“Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema máximo no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando têm que se vacinar e quais as vacinas disponíveis”.
Outros motivos também foram citados:
- 7,3% disseram que os responsáveis não autorizaram a vacinação;
- 7,2% afirmaram não saber a função da vacina;
- 7% relataram dificuldade de acesso aos postos de saúde.
A pesquisa aponta ainda diferenças entre redes de ensino. Na rede pública, 11% dos alunos não se vacinaram, contra 6,9% na rede privada. Por outro lado, a resistência dos pais é maior entre estudantes da rede privada (15,8%) do que na pública (6,3%).
Papel das escolas
Para especialistas, as escolas podem ser fundamentais para ampliar a cobertura vacinal.
“Quando você pega os principais fatores de hesitação vacinal, a escola resolve todos eles. Resolve a desinformação, educando o adolescente. Resolve a falta de informação, quando eles são informados que vai ter a vacinação. Resolve o acesso, porque é muito difícil levar um adolescente ao posto de saúde, mas vacinar na escola é muito mais simples. E resolve a conscientização dos pais”.
Avanços e resgate vacinal
Segundo o Ministério da Saúde, dados preliminares de 2025 mostram melhora na cobertura: 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. Desde 2024, a vacina passou a ser aplicada em dose única.
A pasta também lançou uma estratégia de resgate vacinal para adolescentes de 15 a 19 anos que não foram imunizados na idade recomendada. Até o momento, cerca de 217 mil jovens já receberam a vacina.
A campanha segue até junho de 2026, com ações em escolas e unidades de saúde. Quem tiver dúvidas pode verificar a situação vacinal pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Fonte: Agência Brasil