Última modificação em 19 de março de 2026 às 11:34

O uso recreativo de drogas ilícitas pode mais do que dobrar o risco de Acidente Vascular Cerebral, segundo uma ampla revisão de estudos conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge.
A meta-análise reuniu dados de 32 pesquisas, somando mais de 100 milhões de participantes, para investigar a relação entre o consumo de substâncias ilícitas e o aumento do risco de AVC. O estudo foi publicado na revista científica International Journal of Stroke, ligada à World Stroke Organization.
O AVC ocorre quando há obstrução total ou parcial dos vasos sanguíneos no cérebro e é uma das principais emergências médicas do mundo, sendo a terceira maior causa de morte global.
Os resultados apontam que o risco varia conforme a substância. Usuários de anfetaminas apresentam o maior aumento, com 122% mais chance de sofrer um AVC. Já o uso de cocaína eleva o risco em 96%, enquanto a cannabis está associada a um aumento de 33%. Para opioides, no entanto, a relação não foi considerada significativa.
“Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre o tema e fornece evidências convincentes de que drogas como cocaína, anfetaminas e cannabis são fatores de risco causais para o AVC”, afirma a pesquisadora Megan Ritson, autora principal do estudo.
Como as drogas aumentam o risco
Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada randomização mendeliana, que analisa variações genéticas para identificar relações causais.
A partir disso, foram identificados possíveis mecanismos biológicos:
- Cannabis: constrição dos vasos cerebrais, alterações na pressão arterial e maior formação de coágulos
- Cocaína: elevação súbita da pressão arterial e vasoespasmos
- Anfetaminas: aumento agudo da pressão, vasoconstrição e arritmias
Cada substância também foi associada a diferentes tipos de AVC. A cannabis, por exemplo, teve maior relação com doenças de grandes artérias. A cocaína esteve mais ligada a AVCs cardioembólicos, enquanto as anfetaminas tiveram maior associação com AVCs hemorrágicos.
Alerta para a saúde pública
Os autores destacam que os resultados reforçam a necessidade de incluir o uso de drogas na avaliação de risco para AVC, além de ampliar políticas públicas de prevenção.
O AVC segue como uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. No Brasil, em 2025, a condição provocou mais de 64 mil mortes entre janeiro e outubro — o equivalente a uma vítima a cada seis minutos.
Tipos de AVC
- Isquêmico (85% dos casos): ocorre quando há obstrução de um vaso sanguíneo, geralmente associado à hipertensão e doenças cardíacas
- Hemorrágico (15%): acontece quando há rompimento de um vaso, causando sangramento cerebral
Entre as principais sequelas estão dificuldade de movimento, problemas na fala, alterações cognitivas e impactos emocionais, que podem comprometer significativamente a qualidade de vida.
Fonte: G1