Partido ameaçou "pena de prática de ato de infidelidade partidária" para filiados que se mantiverem em postos. Foto: Reprodução
Última modificação em 18 de setembro de 2025 às 16:49
O União Brasil deu um prazo de 24 horas para que seus filiados nomeados em cargos no governo Lula (PT) se desliguem das funções, sob pena de cometerem infidelidade partidária. A determinação foi formalizada nesta quinta-feira (18), por meio de resolução assinada pelo presidente nacional da sigla, Antônio Rueda.
A medida impacta diretamente quadros da legenda que ainda ocupam postos na gestão federal, como o ministro do Turismo, Celso Sabino, único representante do União no primeiro escalão do Executivo.
A nova resolução antecipa o cronograma de saída dos partidos da base governista. Em 2 de setembro, União Brasil e Progressistas (PP) haviam dado 30 dias para que seus ministros deixassem o governo. Agora, o União acelera esse processo e endurece a cobrança aos seus filiados.
A decisão foi comunicada em nota à imprensa, na qual o partido também saiu em defesa de Rueda, após seu nome ser citado em investigações da Polícia Federal sobre possíveis conexões entre empresários da aviação executiva e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF apura se o dirigente seria o proprietário oculto de jatos usados por membros do grupo criminoso, mas ressalta que ele não é formalmente investigado.
Na nota, o União Brasil classificou como suspeita a coincidência entre o avanço das investigações e a decisão do partido de se afastar do governo:
“Causa profunda estranheza que essas inverdades venham a público justamente poucos dias após a determinação oficial de afastamento de filiados do União Brasil de cargos ocupados no governo Lula — movimento legítimo, democrático e amplamente debatido nas instâncias superiores”, afirma o texto.
O comunicado ainda aponta possível uso político da estrutura estatal para atacar o partido e fragilizar sua independência em relação ao Planalto.
Desde agosto, União Brasil e PP formam uma federação partidária que reúne 108 deputados federais e 14 senadores, compondo a maior bancada da Câmara e a segunda maior do Senado. A condução da federação é compartilhada por Rueda e pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Apesar de setores da sigla manterem relação próxima com o governo, o União Brasil abriga lideranças da oposição, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República em 2026 e crítico declarado de Lula.
Fonte: CNN Brasil
Por: M3 Comunicação