O trabalho irá envolver intérpretes das línguas Tikuna, Yaathe (Fulni-ô) e Kaingang, além de tradutores-intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais (Tilis). Foto: Gesival Nogueira Kebec/Secom/TSE
Última modificação em 2 de fevereiro de 2026 às 12:20
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contará, pela primeira vez, com tradução simultânea e intérpretes de línguas indígenas durante as audiências públicas que vão discutir o texto preliminar das resoluções das Eleições Gerais de 2026. A iniciativa inédita ocorre nos dias 3 e 4 de fevereiro, a partir das 10h, e no dia 5 de fevereiro, a partir das 11h, com transmissão ao vivo pelo canal oficial do TSE no YouTube.
A medida foi determinada pelo vice-presidente do TSE e relator das resoluções eleitorais, ministro Nunes Marques, e tem como objetivo ampliar a inclusão, a diversidade e a acessibilidade no processo de construção das normas que vão reger o próximo pleito.
Tradução em línguas indígenas amplia acesso às audiências do TSE
As audiências contarão com intérpretes das línguas Tikuna, Yaathe (Fulni-ô) e Kaingang, além de tradutores-intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais (Tilis). A iniciativa busca garantir que povos indígenas possam acompanhar e participar do debate sobre regras eleitorais que impactam diretamente a representação política no país.
Segundo o TSE, a escolha das línguas levou em conta critérios como número de falantes, vitalidade linguística e abrangência territorial das etnias representadas.
Inclusão indígena também avança na distribuição de recursos eleitorais
O ministro Nunes Marques também foi relator da Consulta nº 0600222-07, julgada pelo Tribunal em fevereiro de 2024, que assegurou às candidaturas indígenas a distribuição proporcional de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), nos mesmos moldes já aplicados às candidaturas de pessoas negras.
Essa diretriz passou a constar das minutas de resoluções eleitorais agora submetidas às audiências públicas.
“A democracia incorpora demandas por igualdade, respeito a direitos, participação política e justiça social. Esse avanço representa um passo importante na inclusão política dos povos originários, ao ampliar a pluralidade nas nossas instituições”, afirmou o ministro.
Medida segue compromissos internacionais
A iniciativa do TSE está alinhada à Resolução 74/135 da Assembleia Geral da ONU, que declarou o período de 2022 a 2032 como a Década Internacional das Línguas Indígenas. Também dialoga com o Objetivo 10.2 da Agenda 2030, voltado à redução das desigualdades.
Diversidade linguística no Brasil
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o Brasil possui 391 etnias indígenas e 295 línguas. Entre as mais faladas estão a Tikuna, com cerca de 52 mil falantes, e a Kaingang, com aproximadamente 27 mil. A língua Yaathe, falada pelo povo Fulni-ô, destaca-se por ser uma das poucas que permanecem plenamente preservadas no Nordeste.
Dados do cadastro eleitoral indicam que a língua Tikuna é a mais declarada entre eleitores indígenas que informaram etnia e idioma no registro eleitoral.
Audiências terão formato híbrido e transmissão ao vivo
As audiências públicas ocorrerão em formato híbrido, com participação presencial e por videoconferência, na sede do TSE, em Brasília. Todo o conteúdo será transmitido ao vivo pelo canal oficial da Justiça Eleitoral no YouTube, com recursos de acessibilidade.
Fonte: TSE
Por: M3 Comunicação Integrada