
Última modificação em 10 de abril de 2026 às 08:38
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter a cassação do ex-deputado estadual de Roraima Renan Filho (Republicanos), condenado por compra de votos nas eleições de 2018. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (9), em Brasília.
Além da perda do mandato, a Corte também manteve a multa de R$ 53 mil aplicada anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR).
Eleito com 2.657 votos para o mandato entre 2019 e 2022, Renan Filho já havia sido cassado três vezes pelo TRE-RR pelo mesmo esquema, mas conseguiu permanecer no cargo por meio de recursos ao longo do processo.
Ao g1, o ex-parlamentar afirmou que respeita a decisão da Justiça Eleitoral, mas informou que irá recorrer. Ele também declarou que, por se tratar de um caso antigo, a legislação atual garantiria sua elegibilidade e disse seguir confiante na Justiça.
A defesa alegava falta de provas e ausência de participação direta do político nas irregularidades. No entanto, o TSE concluiu que Renan Filho foi beneficiado por um esquema estruturado de compra de votos.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, a prática envolvia uma organização hierarquizada com pagamentos definidos. Cabos eleitorais, chamados de “líderes”, recebiam cerca de R$ 250 para reunir grupos de eleitores. Já os eleitores, denominados “liderados”, recebiam R$ 100 em troca do compromisso de voto.
Para garantir o apoio, a equipe realizava uma espécie de “auditoria”, com listas detalhadas e ligações telefônicas simulando pesquisas eleitorais. O pagamento só era efetuado após a confirmação do voto no candidato.
Provas e decisão
Relator do caso, o ministro Villas Bôas Cueva destacou a robustez das provas, que incluem interceptações telefônicas, mensagens e documentos que comprovam o monitoramento dos eleitores antes da liberação do dinheiro.
“O caso revela complexo esquema de captação ilícita de sufrágio”, afirmou.
A Justiça Eleitoral entendeu que não há margem para interpretar os pagamentos como ajuda de custo de campanha, apontando que a prática comprometeu a igualdade na disputa eleitoral.
Histórico no TRE-RR
A condenação de Renan Filho teve início no fim de 2019, quando o TRE-RR determinou a cassação do mandato. Desde então, o ex-deputado acumulou derrotas na Corte regional relacionadas ao mesmo caso.
Fonte: G1 RR