Indígenas fotografados na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Foto: Reprodução/Agência Brasil)
Última modificação em 20 de fevereiro de 2026 às 10:07
O Ministério da Saúde enviou uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, após a confirmação de oito casos de coqueluche e três mortes de crianças na região. A mobilização federal foi anunciada na quarta-feira (18) e integra as ações de resposta ao aumento de infecções respiratórias entre indígenas.
Equipe federal reforça atendimento e vigilância epidemiológica
O grupo chegou à região na segunda-feira (16) e atua em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já realizava coleta de amostras e ações preventivas nas aldeias próximas a Surucucu. Ao todo, cerca de 50 profissionais participam da operação, incluindo especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência em contenção de surtos e monitoramento de doenças transmissíveis.
As crianças diagnosticadas com coqueluche estão em tratamento em hospitais de Boa Vista. Duas já receberam alta e retornaram às comunidades de origem, enquanto casos suspeitos permanecem sob investigação e acompanhamento clínico.
A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa, caracterizada inicialmente por crises de tosse seca. No Brasil, a imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 7 anos e gestantes, nas Unidades Básicas de Saúde.
Dados do Dsei Yanomami indicam avanço na cobertura vacinal infantil nos últimos anos. Entre crianças menores de 1 ano, o esquema completo passou de 29,8% em 2022 para 57,8% em 2025. Na faixa até 5 anos, a cobertura subiu de cerca de 52% para 73% no mesmo período.
Emergência sanitária e impactos do garimpo ilegal
A crise de saúde no território levou o governo federal a decretar estado de emergência em 2023, diante de altos índices de desnutrição, malária e mortalidade. As ações de resposta envolveram os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas, com foco na reestruturação da assistência e no combate aos efeitos do garimpo ilegal.
Entre as medidas adotadas estão o fechamento de áreas de garimpo, controle do espaço aéreo, iniciativas de despoluição de rios, ampliação do acesso à água potável e construção de unidades especializadas de saúde.
O reforço de profissionais de saúde foi uma das principais estratégias. O Dsei Yanomami, que contava com 690 trabalhadores em 2023, passou a ter mais 1.165 contratações adicionais — aumento de 169% no efetivo.
Segundo o Ministério da Saúde, dados de 2025 apontam queda de 27,6% na mortalidade desde a decretação da emergência sanitária. Lideranças indígenas, no entanto, afirmam que persistem desafios estruturais no atendimento e na proteção do território.
Com mais de 30 mil habitantes distribuídos em cerca de 376 comunidades, a Terra Indígena Yanomami é o maior território indígena do Brasil.
Fonte: Agência Brasil