O estudo analisou 106 critérios de transparência e integridade, atribuindo notas a cada unidade da federação. Foto: Arquivo Pessoal
Última modificação em 30 de setembro de 2025 às 10:04
Enquanto estados como Espírito Santo (95 pontos), Goiás (93) e Minas Gerais (89) lideraram com desempenho considerado “ótimo”, Roraima aparece entre os cinco piores colocados, ao lado de Amapá (47), Acre (50), Piauí (51) e Sergipe (51). A ausência de dados completos sobre emendas estaduais e federais é o principal gargalo identificado.
Roraima ocupa a penúltima posição no ranking nacional de transparência sobre emendas parlamentares e execução de obras públicas, segundo o Índice de Transparência e Governança Pública 2025, elaborado pela organização Transparência Internacional. O Estado obteve apenas 48,2 pontos de um total de 100, resultado classificado como “regular” e inferior à média nacional, de 69,8 pontos.
O levantamento avaliou a capacidade dos governos estaduais em disponibilizar dados sobre a destinação de emendas parlamentares, andamento físico e financeiro de obras, além de informações sobre repasses diretos de recursos conhecidos como “emendas Pix”. O estudo analisou 106 critérios de transparência e integridade, atribuindo notas a cada unidade da federação.
Segundo Renato Morgado, gerente de Programas da Transparência Internacional, a falta de informações enfraquece a fiscalização do uso de recursos públicos e abre espaço para práticas ilícitas. “O primeiro risco é da própria corrupção. A transparência é um mecanismo tanto de prevenção quanto de detecção de irregularidades”, afirmou.
São Luiz do Anauá e as emendas pix
No caso das chamadas emendas Pix, que transferem recursos diretamente para estados e municípios sem necessidade de convênios, a situação é ainda mais preocupante. Treze estados não apresentam planos de trabalho sobre a aplicação desses valores, descumprindo determinações legais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Roraima está entre os que apresentam falhas graves nessa área.
A Transparência Internacional destacou que houve avanços desde 2022, como a criação de normas anticorrupção e aumento da regulamentação sobre nepotismo e proteção a denunciantes. No entanto, em Roraima, as lacunas permanecem significativas, com baixa capacidade de monitoramento de obras públicas, ausência de conselhos ativos de transparência e fragilidade na divulgação de dados de interesse público.
A situação coloca em evidência a necessidade urgente de investimentos em governança e em mecanismos de controle social em Roraima. Sem informações claras e acessíveis, a sociedade perde a capacidade de acompanhar de forma efetiva como os recursos estão sendo aplicados e se cumprem o objetivo de atender às demandas da população.
Fonte: Transparência Internacional Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada