
Última modificação em 2 de abril de 2026 às 08:19
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) publicou uma nova diretriz que muda a abordagem no tratamento da Obesidade: o uso de medicamentos não deve ser feito de forma isolada, mas sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação adequada e prática de atividade física.
A orientação faz parte de um documento que reúne 32 recomendações para o cuidado com a doença e busca alinhar o avanço científico à prática clínica no país.
Segundo a diretriz, os principais critérios para indicação de medicamentos incluem Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m² ou IMC a partir de 27 kg/m² em pessoas com complicações relacionadas ao excesso de gordura corporal.
Em situações específicas, o tratamento farmacológico pode ser considerado mesmo sem levar em conta o IMC, desde que haja aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura associado a problemas de saúde.
“O médico passou a lidar com um cenário terapêutico mais amplo e com decisões que exigem avaliação cada vez mais individualizada. Esta diretriz transforma esse avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”, ressaltou o presidente da Abeso, Fábio Trujilho.
Elaborado por um grupo multidisciplinar com endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, o documento organiza as recomendações por classes e níveis de evidência científica.
“O documento traz direcionamentos para cenários como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono, perda de massa magra e muscular, o que aproxima a recomendação científica das perguntas reais do consultório”, destacou um dos coordenadores da nova diretriz, Fernando Gerchman.
As novas orientações também fazem alertas importantes sobre o uso inadequado de substâncias sem comprovação científica. A Abeso desaconselha o uso de fórmulas manipuladas ou produtos sem evidência robusta de eficácia e segurança, incluindo compostos com diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG).
A diretriz reforça que o tratamento da obesidade deve ser individualizado, baseado em evidências e sempre acompanhado por profissionais de saúde.
Fonte: Agência Brasil