O caso segue sob investigação, e o parque permanecerá fechado até que as análises sejam concluídas. Foto: Reprodução / Internet
Última modificação em 1 de dezembro de 2025 às 11:26
Gerson de Melo Machado, conhecido como “Vaqueirinho”, de 19 anos, morreu no domingo (30) após invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa (PB).
O caso, que ganhou grande repercussão nacional, expôs uma trajetória marcada por abandono, transtornos mentais e sucessivas violações de direitos desde a infância — uma história acompanhada de perto por oito anos pela conselheira tutelar Verônica Oliveira, que desabafou nas redes sociais após a morte do jovem.
Segundo a conselheira, Gerson foi destituído do poder familiar ainda aos 10 anos devido à negligência e à impossibilidade de cuidados adequados pela família. Ele viveu em um contexto de extrema vulnerabilidade, com mãe e avó portadoras de transtornos mentais. Por conta desse quadro, o menino também foi impedido de ser adotado, e desde cedo precisou ser acompanhado por profissionais da assistência social e da saúde mental.
A conselheira relembra que sua vida foi marcada por fugas, crises e episódios de risco, como quando ele tentou entrar escondido no trem de pouso de um avião. “Interditávamos o aeroporto quando ele sumia”, relatou Verônica.
Gerson também desenvolveu uma fixação por leões. Contava que havia sonhado com o animal e insistia que gostaria de trabalhar com eles — uma referência constante nos relatos da conselheira. Ao longo dos anos, o menino acumulou 16 passagens pela polícia, 10 delas ainda como adolescente. Passou por internações em centros socioeducativos e chegou a frequentar o Caps, mas também fugiu desse acompanhamento.
Mesmo recebendo múltiplos atendimentos das redes de proteção, Verônica afirma que nunca foram disponibilizados ao jovem todos os serviços necessários para um tratamento adequado do transtorno mental que, segundo ela, era evidente.
Dois dias antes do ataque, o jovem havia sido detido após tentar danificar caixas eletrônicos. No dia seguinte, foi novamente levado pela polícia por apedrejar uma viatura. Ele relatava estar com fome e sem local para dormir, dizendo que queria ser preso por não ter para onde ir. Para a conselheira, essa sequência de episódios revela uma vida marcada pela ausência de suporte efetivo e pelo sofrimento psíquico que se arrastava desde a infância.
O dia do ataque
De acordo com a Prefeitura de João Pessoa, Gerson escalou uma parede de cerca de seis metros do parque, pulou grades e conseguiu acessar a área exclusiva para manejo da leoa. Em seguida, entrou no recinto interno, onde foi atacado.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de suicídio, mas ainda não descarta outras possibilidades. O caso também motivou questionamentos sobre segurança do parque, que alegou cumprir todas as normas técnicas e afirmou que a invasão foi “imprevisível”.
Após o incidente, o parque — que estava aberto no momento da invasão — foi fechado para vistoria e investigações. A prefeitura informou que a leoa não sofreu ferimentos e permanece sob observação da equipe técnica especializada.
Para Verônica Oliveira, a morte de “Vaqueirinho” simboliza o fracasso de todas as instituições que o acompanharam ao longo da vida. “Não vou descansar até que algo mude”, escreveu. O caso segue sob investigação, e o parque permanecerá fechado até que as análises sejam concluídas.
Fonte: Folha Press/ Correio Braziliense/ Agência Cenarium
Por: M3 Comunicação Integrada