Informação é da Organização Internacional para as Migrações. Foto: Acnur
Última modificação em 26 de fevereiro de 2026 às 11:13
Quase 8 mil pessoas morreram ou desapareceram em 2025 ao tentar cruzar rotas migratórias consideradas de alto risco, como o Mediterrâneo e o Chifre da África, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). A entidade alerta que o número real pode ser significativamente maior devido à redução do financiamento humanitário e à dificuldade crescente de monitoramento dessas mortes.
De acordo com a OIM, a diminuição das vias legais de migração tem levado mais pessoas a recorrer a rotas irregulares e redes de contrabando humano, cenário agravado pelo endurecimento das políticas migratórias em regiões como Europa e Estados Unidos.
Rotas letais e subnotificação
O levantamento indica que 7.667 migrantes morreram ou desapareceram em 2025, número inferior às quase 9.200 mortes registradas em 2024. No entanto, a organização ressalta que a queda pode refletir não apenas menos deslocamentos, mas também a redução da capacidade de coleta de dados e de acesso humanitário em áreas críticas.
As travessias marítimas continuam entre as mais perigosas. Pelo menos 2.108 pessoas morreram ou desapareceram no Mar Mediterrâneo, enquanto 1.047 perderam a vida na rota atlântica em direção às Ilhas Canárias, na Espanha.
Na Ásia, cerca de 3 mil mortes foram registradas, mais da metade envolvendo migrantes afegãos. Já no corredor do Chifre da África — que liga o Iêmen a países do Golfo — foram contabilizadas 922 mortes, forte aumento em relação ao ano anterior. A maioria das vítimas era de etíopes, muitos mortos em naufrágios coletivos.
Impacto de cortes de financiamento
A OIM, sediada em Genebra, informou que cortes significativos no financiamento internacional, especialmente dos Estados Unidos, obrigaram a redução ou encerramento de programas humanitários. Segundo a agência, a retração das operações compromete a proteção de migrantes e o registro de mortes em trânsito.
Em nota, a diretora-geral da organização, Amy Pope, classificou o cenário como inaceitável.
“A perda contínua de vidas nas rotas migratórias é uma falha global que não podemos aceitar como normal. Essas mortes não são inevitáveis”, afirmou.
Ela defendeu a ampliação de rotas migratórias seguras e regulares, além de maior proteção internacional a pessoas em deslocamento forçado, independentemente do status migratório.
Pressão migratória global
A OIM destaca que o fechamento progressivo de caminhos legais de migração tem empurrado mais pessoas para viagens clandestinas, muitas vezes organizadas por redes criminosas. O fenômeno ocorre em paralelo ao reforço de medidas de dissuasão e controle migratório adotadas por países desenvolvidos.
Para a organização, a tendência global aumenta a exposição de migrantes a riscos extremos, incluindo naufrágios, violência, exploração e desaparecimento em regiões de difícil acesso.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada