A nova previsão representa um recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao crescimento registrado em 2024. Foto: Reprodução
Última modificação em 25 de abril de 2025 às 11:02
A economia brasileira começou 2025 dando sinais de desaceleração, conforme aponta o Informe Conjuntural do 1º trimestre, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) ter registrado leve alta de 0,2% no último trimestre de 2024, o desempenho foi inferior ao dos períodos anteriores.
A CNI revisou a projeção de crescimento do PIB para 2025 de 2,4% para 2,3%. Se confirmada, essa será a menor taxa de crescimento dos últimos cinco anos. A nova previsão representa um recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao crescimento registrado em 2024.
Setores produtivos
Entre os setores da economia, a indústria apresentou o melhor desempenho, com crescimento de 0,3% em relação ao 3º trimestre do ano passado. Já o setor de serviços avançou apenas 0,1%, marcando sua menor taxa trimestral desde o 2º trimestre de 2021. O PIB da agropecuária, por outro lado, teve queda de 2,3%.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias recuou 1%, enquanto os investimentos registraram alta de 0,4% em comparação ao trimestre anterior. Mesmo com esse crescimento, o ritmo é considerado fraco em relação aos trimestres passados, quando os investimentos superaram a marca de 2%.
Segundo o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, a produção industrial apresentou estabilidade no início de 2025:
“A produção industrial andou de lado no primeiro bimestre. Houve uma estabilidade em janeiro, com um leve salto de 0,1% em fevereiro”, explica.
Telles acrescenta que o setor de serviços segue em ritmo lento:
“O mesmo acontece com o setor de serviços, que cresceu apenas 0,2% em fevereiro frente a dezembro. O comércio está um pouco melhor por causa de algumas peculiaridades, principalmente por uma base de comparação fraca”, destaca.
Crédito, estímulo fiscal e mercado de trabalho
A Confederação Nacional da Indústria também reduziu suas expectativas para o crédito e os estímulos à economia. A projeção de crescimento do crédito em 2025 é de apenas 6,5%, contra os 10,6% registrados no ano anterior. Já os gastos públicos devem crescer apenas 2%, menos da metade do índice observado em 2024.
O mercado de trabalho segue positivo, mas com sinais de menor dinamismo.
Juros em alta
Outro fator de preocupação é a inflação. O índice acumulado em 12 meses até março chegou a 5,5%, pressionando o Banco Central a manter sua política de aperto monetário. A taxa básica de juros (Selic) foi elevada para 14,25% ao ano.
Com a piora nas expectativas inflacionárias, a CNI prevê que o Banco Central suba a Selic em mais 0,5 ponto percentual na próxima reunião, encerrando 2025 com a taxa em 14,75% ao ano. Com isso, a taxa de juros real deverá ficar em 9,8% ao ano — bem acima dos 7% registrados no final de 2024.
Fonte: Brasil 61
Por: M3 Comunicação