Última modificação em 9 de março de 2026 às 10:31

Cerca de uma semana após o início da escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos, o preço do petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 100 por barril nesta segunda-feira (9). A alta levou analistas do mercado financeiro a revisarem projeções para o setor de energia e para a economia global.
De acordo com avaliação do analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, um conflito geopolítico dessa dimensão tende a aumentar a aversão ao risco nos mercados internacionais e pressionar os preços da energia.
Com o petróleo mais caro, a expectativa é de aumento da inflação global e menor espaço para cortes nas taxas de juros, além de possíveis efeitos negativos sobre o crescimento econômico. Por outro lado, empresas ligadas ao setor de petróleo e gás podem ser beneficiadas pela valorização da commodity.
No Brasil, o impacto pode ser significativo porque o setor representa uma parcela importante do Produto Interno Bruto (PIB) e das receitas do governo. Companhias petrolíferas listadas na bolsa também tendem a reagir diretamente às variações no preço internacional do barril.
Segundo o relatório, o desempenho da Petrobras diante desse cenário depende principalmente da política de preços da empresa. Caso os aumentos do petróleo sejam repassados para os combustíveis vendidos no mercado interno, a estatal poderia gerar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões adicionais para cada aumento de US$ 10 no preço do barril.
Além da alta do Brent, os analistas apontam que os spreads de refino — diferença entre o preço do petróleo e o valor dos combustíveis derivados — também cresceram desde o início da crise, ampliando o potencial de ganhos para a companhia.
Se o barril permanecer na faixa de US$ 100 e os spreads de refino continuarem elevados, a Petrobras poderia gerar cerca de US$ 28,5 bilhões em fluxo de caixa livre, com retorno estimado em aproximadamente 25%.
Por outro lado, caso a empresa opte por não repassar o aumento do petróleo para os combustíveis, os ganhos seriam menores e ficariam limitados principalmente às exportações de petróleo bruto.
Nesse cenário, a geração de caixa cairia para cerca de US$ 13 bilhões, com retorno estimado em torno de 11%.
Analistas avaliam, no entanto, que um reajuste nos combustíveis pode se tornar inevitável. Caso os preços não sejam ajustados, distribuidoras e postos de combustíveis poderiam enfrentar escassez de diesel em poucas semanas, o que pressionaria o mercado a elevar os valores nas bombas.
Para o setor como um todo, o cenário de petróleo acima de US$ 100 por barril também beneficia outras empresas brasileiras de exploração e produção, como PRIO, Brava e PetroRecôncavo. Entre elas, a PRIO é apontada como uma das companhias com maior potencial de retorno em caso de manutenção dos preços elevados do petróleo.
Mesmo assim, analistas destacam que a duração da alta do petróleo será determinante para o impacto final sobre o setor e sobre a economia global.
Fonte: InfoMoney
Por: M3 Comunicação Integrada