
Última modificação em 12 de março de 2026 às 09:57
Uma nova pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), aponta um cenário inédito de empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno nas eleições de 2026. De acordo com a análise do diretor da consultoria, Felipe Nunes, os dados reforçam um quadro de polarização consolidada a cerca de seis meses do pleito.
O levantamento também indica piora na avaliação do governo federal e aumento do pessimismo em relação à economia.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, o estudo testou cenários de primeiro e segundo turno com outros pré-candidatos: Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (PSD), Eduardo Leite (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC).
Nos cenários de primeiro turno, Lula aparece na liderança em dois cenários e empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro em outros cinco. O presidente registra entre 36% e 39% das intenções de voto, enquanto o senador varia entre 30% e 35%.
Empate inédito no segundo turno
Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem numericamente empatados em um cenário de segundo turno, com 41% das intenções de voto cada.
O levantamento mostra que a vantagem do presidente vinha diminuindo nos últimos meses. Em dezembro, a diferença era de dez pontos percentuais. Em janeiro, caiu para sete pontos; em fevereiro, para cinco; até chegar ao empate atual.
No levantamento anterior, realizado em fevereiro, Lula tinha 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro.
Disputa pelo eleitor independente
A pesquisa também indica uma mudança entre os eleitores que se declaram independentes. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno.
Segundo os dados, o senador tem 32% das intenções de voto nesse segmento, enquanto o presidente registra 27%. Outros 36% afirmaram que preferem não votar, e 5% disseram estar indecisos.
Na pesquisa anterior, Lula tinha 31% entre os independentes, contra 26% de Flávio Bolsonaro. De acordo com a Quaest, esse grupo representa cerca de 32% do eleitorado.
Entre os eleitores que se identificam claramente com cada campo político, os índices são mais consolidados: Lula reúne 95% dos votos entre os eleitores lulistas, enquanto Flávio Bolsonaro registra 96% entre os bolsonaristas.
Polarização consolidada
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os resultados reforçam a consolidação da polarização política no país.
Segundo ele, Lula mantém entre 36% e 39% das intenções de voto nos diferentes cenários de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro varia entre 30% e 35%. Os demais nomes aparecem com percentuais mais baixos: Ratinho Júnior tem cerca de 7%, Ronaldo Caiado 4%, e Romeu Zema e Eduardo Leite cerca de 3% cada.
Nunes também destaca o crescimento gradual de Flávio Bolsonaro desde dezembro, quando foi anunciado como pré-candidato pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Avaliação do governo Lula
O levantamento também aponta piora na avaliação do governo federal. Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados desaprovam a gestão de Lula, enquanto 44% aprovam.
Em fevereiro, a desaprovação era de 49% e a aprovação, de 45%. Já em janeiro, os índices eram de 49% e 47%, respectivamente.
De acordo com Felipe Nunes, trata-se do pior resultado de aprovação desde julho de 2025.
Percepção sobre a economia
A pesquisa também identificou aumento do pessimismo em relação à economia. Para 48% dos entrevistados, a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses. Outros 24% afirmaram que houve melhora, enquanto 26% disseram que a situação permaneceu igual.
Em fevereiro, o percentual dos que avaliavam a economia como pior era de 43%.
A expectativa para os próximos 12 meses também apresentou piora. Atualmente, 41% acreditam que a economia vai melhorar, número inferior aos 48% registrados em janeiro. Já os que acreditam em piora passaram de 28% para 34%.
Corrupção volta a preocupar
Outro dado apontado pela pesquisa é o aumento da preocupação com a corrupção. O tema aparece como a segunda maior preocupação dos brasileiros, atrás apenas da violência.
Segundo o levantamento, 27% citaram a violência como principal problema do país, enquanto 20% apontaram a corrupção. Em seguida aparecem problemas sociais (18%), saúde (13%), economia (10%) e educação (6%).
Medo político dividido
A pesquisa também investigou qual cenário gera mais temor entre os eleitores: a continuidade do governo Lula ou o retorno da família Bolsonaro ao poder.
Segundo os dados, 43% afirmaram ter mais medo de um novo governo Lula, enquanto 42% disseram temer mais a volta da família Bolsonaro. Outros 7% disseram temer ambos, e 3% afirmaram não ter medo de nenhum dos dois.
De acordo com Felipe Nunes, Lula registra atualmente seu menor potencial de voto na série histórica da pesquisa, com 41%, e também a maior taxa de rejeição entre os possíveis candidatos, de 56%. Flávio Bolsonaro apresenta rejeição semelhante, de 55%.
Fonte: G1
Por: M3 Comunicação Integrada