
Última modificação em 9 de abril de 2026 às 10:44
Vídeos com personagens como “Abacatudo” e “Moranguete” dominaram as redes sociais, acumulando milhões de visualizações com histórias curtas feitas por inteligência artificial. Apesar do tom humorístico, o fenômeno das chamadas “novelas de frutas” tem preocupado especialistas por misturar estética infantil com roteiros marcados por violência, preconceito e relações tóxicas.
O formato, popular no TikTok e no Instagram, apresenta frutas animadas em tramas dramáticas inspiradas em realities e programas populares. A tendência ganhou força após adaptações de conteúdos internacionais, como o reality Love Island, e passou a incorporar elementos da cultura brasileira, com gírias, humor e situações típicas de programas de TV.
🎭 De entretenimento a mercado lucrativo
O sucesso das animações também abriu espaço para um novo modelo de monetização. Cursos vendidos em plataformas como a Hotmart prometem ensinar usuários a criar conteúdos virais com IA e gerar renda extra — muitas vezes sem precisar aparecer.
Os materiais ensinam desde a criação de personagens até estratégias para viralização, transformando perfis comuns em “máquinas de conteúdo”.
⚠️ Especialistas fazem alerta
Apesar da aparência lúdica, psicólogos alertam para o risco do consumo desse tipo de conteúdo por crianças e adolescentes. Isso porque os vídeos frequentemente incluem cenas de agressão, misoginia, gordofobia e linguagem ofensiva, sem contexto crítico ou consequências.
Segundo especialistas, o contraste entre forma e conteúdo pode dificultar a percepção de que se trata de material inadequado. A estética de desenho animado tende a atrair o público mais jovem, que ainda está em formação e pode ser impactado pelas mensagens transmitidas.
📱 Engajamento e efeito viral
A tendência já foi incorporada por marcas, influenciadores e até perfis institucionais, ampliando ainda mais o alcance. Além disso, usuários replicam os personagens em versões “ao vivo” e em situações do cotidiano, reforçando o efeito viral.
👨👩👧 Desafio para famílias e plataformas
As redes sociais exigem idade mínima de 13 anos e mantêm políticas de remoção de conteúdos inadequados, mas o volume e a velocidade de انتشار dificultam o controle total.
Diante disso, especialistas defendem maior acompanhamento por parte das famílias e discussões abertas com jovens sobre o que consomem online — especialmente quando o entretenimento aparentemente inocente esconde mensagens problemáticas.
Fonte: G1