
Última modificação em 6 de março de 2026 às 09:40
O empreendedorismo feminino tem ganhado cada vez mais espaço em Roraima. Dados do DataSebrae mostram que 22.736 empresas ativas no estado são comandadas por mulheres, o equivalente a 44,3% do total de negócios formalizados. Na prática, quase uma em cada duas empresas roraimenses está sob gestão feminina.
Além da representatividade, o crescimento também chama atenção. Em 2024, o estado registrava 17.391 empresas lideradas por mulheres. Já em 2025, o número chegou a 24.296, um aumento de 35,5% em apenas um ano, mais de seis mil novos negócios passaram a ter mulheres no comando nesse período.
Capital concentra maior volume
Boa Vista concentra a maior parte das empresas lideradas por mulheres no estado. Das 42.018 empresas ativas na capital, 18.940 são administradas por mulheres, o que representa 45,1% do total.
O percentual indica que a presença feminina na liderança empresarial da capital já se aproxima de um equilíbrio com os homens. O cenário acompanha o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e na abertura de pequenos negócios nos últimos anos.
A capital também reúne o maior número de micro e pequenas empresas do estado, o que contribui para a concentração de empreendimentos femininos no município.
Interior mantém participação semelhante
Nos municípios do interior, a presença feminina no empreendedorismo segue próxima à média estadual.
Em Mucajaí, das 886 empresas ativas, 399 são comandadas por mulheres, cerca de 45%. Em Amajari, são 139 empresas femininas entre 309 registradas.
Já em Bonfim, 283 empresas são lideradas por mulheres entre 634 ativas, o que corresponde a 44,6%. Em Pacaraima, o percentual chega a 43,5%, com 390 empresas femininas entre 896 existentes.
Outros municípios também apresentam participação significativa. Iracema possui 151 empresas sob gestão feminina entre 355 ativas, enquanto Alto Alegre registra 230 empresas lideradas por mulheres entre 556 existentes. Em Uiramutã, são 99 empresas femininas entre 240 registradas.
Os números mostram que o empreendedorismo feminino não está restrito à capital. Mesmo em cidades menores, a proporção de negócios liderados por mulheres se mantém próxima à média estadual.
Pequenos negócios dominam o cenário
A maioria das empresas comandadas por mulheres em Roraima está concentrada em negócios de menor porte.
Das 22.736 empresas femininas registradas, 10.005 são Microempreendedoras Individuais (MEI). Outras 8.734 estão classificadas como Microempresas, enquanto 1.800 se enquadram como Empresas de Pequeno Porte.
Isso significa que mais de 80% dos empreendimentos femininos no estado pertencem à base do sistema empresarial, formada principalmente por pequenos negócios, muitas vezes iniciados com investimento reduzido e estrutura enxuta.
Esse perfil acompanha a realidade econômica local, onde pequenos empreendimentos desempenham papel importante na geração de renda, no comércio e na prestação de serviços.
Faixa etária predominante
Os dados também mostram concentração de empresárias em idade economicamente ativa. A maior presença está entre 30 e 34 anos, com 3.343 mulheres à frente de empresas.
Em seguida aparecem as faixas de 35 a 39 anos, com 3.080 empresárias, e 25 a 29 anos, com 2.967.
Somadas, essas três faixas etárias reúnem mais de nove mil mulheres empreendedoras em Roraima.
Da manicure à confeitaria
A trajetória da empreendedora Keylla Tayná Gonçalves de Azevedo, de 36 anos, ilustra o crescimento do empreendedorismo feminino no estado.
Durante 22 anos, ela trabalhou como manicure. Com problemas de coluna e a necessidade de reorganizar a rotina para acompanhar mais de perto o filho, decidiu migrar para a confeitaria.
“Comecei a enxergar a confeitaria como uma oportunidade de trabalhar em casa e organizar melhor meu tempo”, contou.

O que começou como uma renda extra acabou se transformando na principal atividade. Há dois anos, ela formalizou a confeitaria artesanal e hoje trabalha com encomendas de bolos, kits festa e sobremesas.
Em 2025, a empreendedora conquistou o terceiro lugar no Prêmio Mulher de Negócios. “Foi um momento importante para acreditar mais no meu trabalho”, disse.
Fonte: Folha de Boa Vista
Por: M3 Comunicação Integrada