Cão Orelha foi brutalmente espancado por adolescentes. Foto: Reprodução/ Internet
Última modificação em 26 de janeiro de 2026 às 11:04
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis (SC), avançou nesta segunda-feira (26) com o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento no crime de maus-tratos. A operação foi conduzida pela Delegacia de Proteção Animal, vinculada ao Departamento de Investigação Criminal da Capital (DIC).
De acordo com a Polícia Civil, os mandados tiveram como alvos dois adolescentes e um adulto. Durante as diligências, foram apreendidos celulares, aparelhos eletrônicos e outros materiais que devem auxiliar na coleta de provas. Em um dos endereços, os policiais também localizaram uma porção de droga, que será analisada no curso da investigação.
Além do crime de maus-tratos, a apuração passou a considerar a possibilidade de coação de testemunha. A suspeita surgiu após relatos de que um vigia, responsável por registrar em vídeo o momento da agressão, teria sido ameaçado após a divulgação das imagens.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, ao menos quatro adolescentes já foram identificados como suspeitos com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região. As investigações seguem para esclarecer a participação individual de cada envolvido.
Investigação em andamento
O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso por meio de duas frentes: a 10ª Promotoria de Justiça, responsável pela apuração dos atos infracionais envolvendo adolescentes, e uma promotoria da área ambiental, diante da gravidade do crime. Conforme o MPSC, os procedimentos seguem o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com aplicação de medidas socioeducativas, caso as responsabilidades sejam confirmadas.
A comoção em torno da morte de Orelha gerou protestos e manifestações de moradores da Praia Brava, que cobram justiça e punição aos responsáveis. O cachorro, que vivia há mais de dez anos na região e era cuidado pela comunidade local, foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata após ser espancado. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia.
As investigações também apuram o envolvimento do mesmo grupo em uma suposta tentativa de afogamento de outro cão comunitário da região. Esse animal sobreviveu e acabou sendo adotado pelo próprio delegado-geral Ulisses Gabriel, em um gesto simbólico diante da repercussão do caso.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também se manifestou publicamente, afirmando que as provas reunidas até o momento são fortes e que o caso segue tratado como prioridade pelas forças de segurança.
A Polícia Civil deve concluir a fase de coleta de depoimentos nos próximos dias e encaminhar o procedimento ao Ministério Público, que dará sequência às medidas cabíveis.
Por: M3 Comunicação Integrada