Última modificação em 27 de março de 2026 às 11:19

Imagem: Internet
O Brasil registrou queda de 4% nas mortes violentas em 2023, segundo a edição final do levantamento do Monitor da Violência, iniciativa do g1 em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da USP. Ao todo, foram contabilizadas 39.492 vítimas no período, contra 41.135 em 2022.
A média diária foi de mais de 108 mortes, considerando homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
O índice nacional de assassinatos também caiu, passando de 20,3 para 19,4 mortes por 100 mil habitantes — indicador utilizado internacionalmente para medir a violência.
Queda foi disseminada, mas com exceções
A redução foi registrada na maioria do país: 21 das 27 unidades da federação apresentaram queda nos assassinatos. Houve aumento em cinco estados — Amapá, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Maranhão — e estabilidade no Ceará.
Mesmo com a melhora, o Brasil ainda figura entre os países com maiores índices de homicídios do mundo, além de manter fortes desigualdades regionais: 19 estados têm taxas acima da média nacional.
Estados puxam resultado nacional
A queda foi impulsionada principalmente por São Paulo, Pará e Bahia, que juntos concentraram mais da metade da redução registrada no país.
São Paulo segue com o menor índice de homicídios, com 6,7 mortes por 100 mil habitantes. Já a Bahia, apesar da redução, ainda apresenta um dos maiores índices, com 34,3.
Entre as maiores quedas percentuais estão Sergipe (22,6%), Tocantins (19,8%) e Rondônia (14,5%), embora todos ainda estejam acima da média nacional.
Altas preocupam em alguns estados
O Amapá registrou a maior alta proporcional, com aumento de 49,5% nos homicídios. Pernambuco e Rio de Janeiro também tiveram crescimento relevante no número de mortes.
Especialistas apontam que o aumento do efetivo policial, por si só, não garante redução da violência. Segundo pesquisadores do NEV-USP, estados com maior presença policial podem, em alguns casos, registrar índices mais altos de homicídios.
Transparência e fim do levantamento periódico
Criado em 2017, o Monitor da Violência surgiu para suprir a falta de dados atualizados e padronizados sobre segurança pública no Brasil. Ao longo dos anos, o projeto contribuiu para ampliar a transparência e o acesso à informação.
Com a criação de painéis oficiais pelo governo federal, que passaram a divulgar dados nacionais de forma contínua, o levantamento periódico de assassinatos será encerrado.
A iniciativa, no entanto, continuará com outras análises sobre segurança pública, mantendo o acompanhamento de temas como feminicídio, letalidade policial e sistema prisional.
Debate sobre políticas públicas
Para especialistas, a disseminação de dados confiáveis é fundamental para orientar políticas públicas e melhorar a segurança no país. O desafio, agora, é transformar a queda recente em tendência sustentável e reduzir as desigualdades regionais nos índices de violência.
Fonte: G1 / Por: M3 Comunicação Integrada