
Última modificação em 4 de março de 2026 às 11:21
Decisão cita risco às investigações, monitoramento ilegal de adversários e suspeitas de crimes financeiros; defesa nega irregularidades.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no âmbito de investigação que apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.
A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF). No despacho, Mendonça afirma que a representação policial apresenta “sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão” e cita “perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância”.
Grupo chamado “A Turma”
Segundo a decisão, as investigações indicam a existência de uma “milícia privada” denominada “A Turma”, que teria sido utilizada para monitorar e intimidar “adversários, jornalistas e autoridades”.
Mensagens interceptadas, conforme descrito no processo, apontam que integrantes do grupo teriam acesso prévio a informações sobre diligências. Em uma das conversas atribuídas ao empresário, há referência a um suposto plano para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, em um “assalto” forjado.
A frase destacada na decisão diz: “Esse [nome do jornalista] quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Nota de O Globo
Após a divulgação do caso, o jornal publicou a seguinte nota:
“O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.”
Afastamento de servidores e outras medidas
A decisão também alcança outros investigados, entre eles Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro; Luiz Phillipi Mourão, apontado como coordenador do grupo; e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Dois servidores ligados ao Banco Central do Brasil foram afastados das funções por determinação judicial. De acordo com a PF, eles teriam atuado como “consultores informais”, antecipando informações regulatórias e revisando documentos do banco antes do envio ao órgão supervisor. A investigação aponta que pagamentos mensais, que poderiam chegar a R$ 1 milhão, teriam sido realizados por meio de contratos simulados e empresas de fachada.
Os servidores deverão utilizar tornozeleira eletrônica. O ministro também determinou a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao grupo investigado.
Manifestação da PGR
Antes de decidir, Mendonça solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não recomendou a prisão preventiva. Mesmo assim, o ministro entendeu que havia elementos suficientes para a medida.
Na decisão, ele registrou:
“Ainda que em sede de cognição sumária, a representação formulada pela Polícia Federal traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão.”
O que dizem as defesas
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. Os advogados acrescentaram que confiam que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.
A defesa de Fabiano Zettel informou que ele se apresentou às autoridades e está à disposição dos investigadores. Os demais citados não haviam se manifestado até a última atualização.
A investigação segue sob relatoria do STF. Como se trata de prisão preventiva, a medida pode ser reavaliada ao longo do processo, conforme o andamento das apurações.
Fonte: O Antagonista e G1
Por: M3 Comunicação Integrada