Data deve movimentar R$ 5,4 bilhões, maior volume desde 2010. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Última modificação em 19 de novembro de 2025 às 10:41
A Black Friday deste ano deve movimentar R$ 5,4 bilhões no varejo brasileiro, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (19) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se confirmada, será a maior cifra registrada para a data desde o início da série histórica, em 2010.
O avanço chama atenção porque ocorre num cenário de endividamento recorde das famílias e incertezas econômicas internas e externas. Ainda assim, a CNC calcula que as vendas devem crescer 2,4% em relação a 2024.
O presidente da entidade, José Roberto Tadros, avalia que fatores como a queda do dólar ajudam a impulsionar o consumo, ao mesmo tempo em que aumentam a concorrência com produtos importados, que chegam ao país com tributação mais vantajosa.
Por que as vendas devem subir
O levantamento aponta três fatores principais para o crescimento projetado:
• Dólar em queda – A moeda americana acumulou recuo de 8,3% na taxa média de câmbio em 12 meses. Com o dólar abaixo de R$ 5,30, o poder de compra do real melhora em comparação com novembro de 2024, quando estava perto de R$ 5,80.
• Mercado de trabalho aquecido – O desemprego segue em níveis historicamente baixos, segundo o IBGE. A massa real de rendimentos subiu 5,5% no segundo trimestre deste ano, frente ao mesmo período de 2024, o que estimula o consumo.
• Crédito caro freia o ritmo – O avanço poderia ser maior, mas o custo elevado do crédito limita a expansão. A taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 58,3% ao ano, o maior nível para o período desde 2017. A Selic alta e a inadimplência recorde — 30,5% das famílias com contas em atraso e 13,2% sem condições de pagar compromissos — pressionam o orçamento e reduzem espaço para compras.
Quais setores devem faturar mais
Três segmentos devem concentrar a maior parte da movimentação financeira da Black Friday de 2025:
- Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
- Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
- Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
Juntos, eles devem responder por cerca de 68% das vendas previstas. Vestuário e acessórios (R$ 950 milhões) e farmácias, perfumarias e cosméticos (R$ 380 milhões) também aparecem entre os setores que devem registrar maior faturamento.
Fonte: CNC
Por: M3 Comunicação Integrada