No garimpo, mercúrio geralmente é utilizado para separação do ouro. Foto: Getty Images
Última modificação em 10 de novembro de 2025 às 09:23
O Brasil tornou-se um dos principais destinos do mercúrio contrabandeado na América do Sul, segundo relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O estudo revela que o metal pesado usado no garimpo ilegal no país tem origem, principalmente, na Bolívia e na Guiana, abastecendo uma cadeia criminosa que ameaça o meio ambiente e a saúde de populações amazônicas.
O documento, intitulado “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança”, foi lançado na última quinta-feira (30), em Brasília. O relatório é fruto de uma cooperação entre a Abin, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, o estudo demonstra que, embora o Brasil não produza nem importe oficialmente mercúrio, o metal segue sendo amplamente utilizado em atividades de garimpo ilegal.
“O estudo mostra como o mercúrio chega ao Brasil. O garimpo ilegal responde pela maior parte do uso do metal no país, e isso confirma que a cadeia de suprimentos do garimpo é ilícita”, afirmou Maluf.
Rotas e impactos do contrabando
O relatório descreve em detalhes as rotas transnacionais de contrabando, evidenciando como o mercúrio proveniente da Bolívia e da Guiana entra em território brasileiro para ser usado na extração ilegal de ouro, especialmente em terras indígenas e unidades de conservação da Amazônia.
A Abin alerta que o combate a esse comércio ilegal exige ações coordenadas entre os países amazônicos, já que as redes criminosas atuam de forma articulada e com grande capacidade logística.
Além dos impactos ambientais, a contaminação por mercúrio tem provocado uma crise de saúde pública. O relatório aponta níveis alarmantes de exposição entre povos indígenas e comunidades ribeirinhas. No território Munduruku (PA), por exemplo, mulheres grávidas apresentam contaminação cinco vezes acima do limite permitido, e 16% dos bebês nascem com problemas neurológicos relacionados ao metal.
Compromissos internacionais
O lançamento do estudo antecede a sexta Conferência das Partes (COP-6) da Convenção de Minamata, que ocorrerá de 3 a 7 de novembro de 2025, em Genebra (Suíça). O acordo internacional tem como objetivo proteger a saúde humana e o meio ambiente dos efeitos do mercúrio.
O MMA, responsável pela coordenação das ações brasileiras na Convenção, reforçou que o país trabalha para eliminar progressivamente o uso do mercúrio, alinhando-se aos compromissos globais de controle e erradicação do metal.
Com base nos dados da Abin, o governo deve intensificar o combate ao contrabando e ao garimpo ilegal, apontados como principais responsáveis pela entrada e disseminação do mercúrio na Amazônia.
Fonte: Ministério Meio Ambiente
Por: M3 Comunicação Integrada