Entidade diz que tratado amplia 8% para 36% o acesso de produtos brasileiros ao comércio mundial. Foto: Divulgação / Mercosul
Última modificação em 19 de janeiro de 2026 às 11:44
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que mais de cinco mil produtos brasileiros passarão a ter imposto de importação zero na União Europeia assim que entrar em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.
De acordo com a entidade, 54,3% dos produtos negociados no tratado terão tarifa zerada imediatamente após a implementação. Já no sentido inverso, o Brasil e os demais países do Mercosul contarão com prazos mais longos para reduzir as tarifas de importação, como forma de garantir uma transição gradual para a indústria regional.
Segundo a CNI, atualmente os acordos comerciais dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens. Com a entrada em vigor do acordo com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por aproximadamente 28% do comércio global em 2024.
Do lado do Mercosul, o acordo prevê prazos entre 10 e 15 anos para a redução tarifária de 44,1% dos produtos — o equivalente a cerca de 4,4 mil itens. Para a confederação, esse modelo oferece previsibilidade e tempo para que a indústria brasileira realize ajustes produtivos e tecnológicos antes da abertura total de alguns setores.
Indústria lidera comércio bilateral
Os dados da CNI mostram que a indústria concentra a maior parte do comércio entre Brasil e União Europeia. Em 2024, 46,3% das exportações brasileiras ao bloco europeu foram de bens industriais. No mesmo período, os insumos industriais representaram 56,6% das importações e 34,2% das exportações.
Ainda segundo o levantamento, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras em 2024, o equivalente a 14,3% do total exportado, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do país. No mesmo ano, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, o que representou 17,9% do total. Desse volume, 98,4% foram produtos da indústria de transformação.
Tratativas e assinatura
As negociações entre Mercosul e União Europeia tiveram início em 1999 e passaram por períodos de paralisação, retomadas e revisões técnicas e políticas. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participou da cerimônia de assinatura do acordo, realizada em Assunção, no Paraguai. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos dias anteriores, Lula se reuniu no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encontro que, segundo o Planalto, sinalizou apoio político à conclusão do tratado.
Fonte: CNI
Por: M3 Comunicação Integrada