Os impactos se estendem diretamente à saúde pública. Foto: Divulgação
Última modificação em 27 de fevereiro de 2026 às 10:05
Cerca de 33 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e aproximadamente 90 milhões vivem sem coleta de esgoto, segundo dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico referentes a 2024. O levantamento indica que apenas 51,8% do esgoto gerado no país recebe tratamento, enquanto 39,5% da água tratada se perde antes de chegar às residências.
O cenário contrasta com a meta nacional de universalização dos serviços até 2033 e revela desigualdades sociais persistentes, concentradas em grupos mais jovens, de menor renda e majoritariamente autodeclarados pardos.
Exclusão do saneamento atinge principalmente jovens e baixa renda
Estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, mostra que 47% dos brasileiros sem acesso à água têm menos de 40 anos; no caso do esgoto, o percentual chega a 49%.
Mais de 43% das pessoas sem esses serviços vivem em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo, evidenciando forte relação entre ausência de saneamento e vulnerabilidade socioeconômica.
Falta de saneamento amplia doenças e afastamentos
A precariedade da infraestrutura básica reflete diretamente na saúde pública. Em 2019, o país registrou 43,3 milhões de afastamentos por doenças de veiculação hídrica e 92,1 milhões por doenças respiratórias associadas a condições inadequadas de higiene.
Somados, esses quadros resultaram em cerca de 220 milhões de dias perdidos em atividades escolares e laborais, concentrados sobretudo entre populações mais pobres e com menor acesso a serviços essenciais.
Infraestrutura influencia renda e desempenho escolar
A análise econômica indica que trabalhadores que vivem em áreas com saneamento completo recebem, em média, 83% mais do que aqueles sem acesso. Mesmo controlando fatores como escolaridade e experiência, a ausência de esgoto reduz salários em 4,9% e a falta de água tratada em 5%.
Na educação, estudantes sem acesso a esgotamento sanitário apresentam atraso escolar 3,2% maior. O impacto também aparece no desempenho do Enem, com queda generalizada nas notas entre alunos que vivem em domicílios sem banheiro, especialmente em redação.
Saneamento valoriza imóveis e impulsiona economias locais
A conexão de moradias às redes de água e esgoto pode elevar o valor dos imóveis em cerca de 10,1% na média nacional. Regiões com maior cobertura, como Sudeste e Sul, concentram maior atividade turística e econômica, enquanto estados do Norte enfrentam limitações associadas à carência de infraestrutura e à degradação ambiental.
Investimentos crescem, mas meta exige mais recursos
Em 2024, os investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário somaram R$ 29,13 bilhões, alta de 10,7% em relação a 2023, segundo o Sinisa. Do total, R$ 15,07 bilhões foram destinados à água e R$ 14,06 bilhões ao esgotamento.
Para alcançar a meta de 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033, o estudo aponta necessidade de ampliação expressiva dos aportes.
Projeções do Instituto Trata Brasil indicam que a universalização entre 2021 e 2040 pode gerar R$ 1,455 trilhão em benefícios econômicos e sociais, frente a custos estimados de R$ 639 bilhões — retorno superior a R$ 4 para cada R$ 1 investido.
Fonte: Sinisa / Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada