A postura foi errada para 51% dos entrevistados pela Quaest. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Última modificação em 15 de janeiro de 2026 às 09:44
Uma nova pesquisa do instituto Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15), indica que a maioria dos brasileiros considera errada a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao condenar a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A avaliação negativa foi manifestada por 51% dos entrevistados, contra 37% que consideraram correta a posição do presidente brasileiro; 12% não souberam ou não responderam.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Opinião pública dividida sobre a ação dos EUA
Na mesma pesquisa, os brasileiros também foram questionados sobre a operação militar norte-americana na Venezuela, que culminou na captura de Maduro e de sua esposa Cilia Flores. 46% disseram aprovar a ação militar, enquanto 39% desaprovaram e 15% não souberam opinar.
Metade dos entrevistados (50%) considerou aceitável a interferência de um país para prender um ditador, enquanto 41% discordaram dessa afirmação.
Outro dado relevante mostrou que 58% dos brasileiros têm medo de que os EUA possam repetir uma intervenção militar semelhante no Brasil, enquanto 40% não têm esse temor.
Lula e a postura diplomática sobre a Venezuela
O presidente Lula tem adotado uma postura crítica em relação à ação militar dos EUA na Venezuela, argumentando que a operação viola o direito internacional e a soberania venezuelana. Em nota publicada no início de janeiro, ele afirmou que os bombardeios e a captura do líder venezuelano “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, pedindo uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Reações internacionais foram diversas: além da crítica brasileira, países como Chile e México expressaram preocupações, enquanto outros, como o presidente eleito do Chile — a exemplo de declarações à ONU — pediram soluções pacíficas e respeito ao direito internacional.
Impacto político e contexto eleitoral
Apesar da oposição à posição de Lula sobre a captura de Maduro, 71% dos entrevistados afirmaram que essa atitude “não afetará” sua decisão de voto nas eleições presidenciais de outubro de 2026.
Por outro lado, 17% disseram que a condenação feita pelo presidente faz com que prefiram votar na oposição, enquanto 7% afirmaram que o posicionamento os faz preferir Lula.
A polarização sobre política externa e segurança internacional ocorre em um ano especialmente político no Brasil, com eleições marcadas para outubro e debates intensos sobre soberania, relações internacionais e a atuação brasileira na América Latina.
Fonte: O Antagonista
Por: M3 Comunicação Integrada