De acordo com a CNI, o atual ambiente monetário contribui para a restrição do crédito. Foto: Divulgação/ Sedecti
Última modificação em 19 de janeiro de 2026 às 09:13
O acesso ao crédito segue sendo um desafio para a indústria brasileira. De cada dez empresas do setor, oito enfrentaram dificuldades para obter financiamento, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
A Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025 mostra que os juros elevados são o principal entrave apontado pelos empresários. Entre aqueles que tiveram dificuldades para contratar crédito de curto ou médio prazo — com vencimento de até cinco anos —, 80% citaram as taxas de juros como o maior obstáculo. Também foram mencionadas a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).
No crédito de longo prazo, acima de cinco anos, o cenário é semelhante. Segundo o levantamento, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados. Outros 31% apontaram a exigência de garantias e 17% a ausência de linhas compatíveis com projetos de investimento.
De acordo com a CNI, o atual ambiente monetário contribui para a restrição do crédito. Com a taxa Selic em 15% ao ano e juros reais próximos de 10%, o custo do financiamento aumenta, o que tende a desestimular investimentos em expansão e inovação.
Busca por crédito diminui
A pesquisa também indica redução na procura por crédito nos seis meses anteriores ao levantamento. Do total de empresas ouvidas, 54% não buscaram crédito de longo prazo e 49% deixaram de procurar financiamento de curto ou médio prazo. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, enquanto, no longo prazo, esse percentual foi de 17%.
Entre as empresas que tentaram acessar crédito, uma parcela significativa não obteve sucesso. Quase um terço das indústrias que buscaram financiamento de longo prazo não conseguiu contratar os recursos. No crédito de curto ou médio prazo, cerca de 20% das empresas também relataram insucesso.
Diferenças por porte
As dificuldades variam conforme o porte da empresa. No crédito de curto ou médio prazo, 26% das médias empresas não obtiveram financiamento, percentual que cai para 21% entre as pequenas e 16% entre as grandes.
Já no crédito de longo prazo, o índice de insucesso foi maior: 43% das médias empresas não conseguiram crédito, seguidas por 37% das pequenas e 27% das grandes.
Avaliação das condições de crédito
Quanto à percepção sobre as condições de crédito, 35% das empresas avaliaram que houve piora no curto ou médio prazo, enquanto 33% fizeram a mesma avaliação para o crédito de longo prazo. Para 47% dos entrevistados, as condições permaneceram estáveis. Apenas 14% relataram melhora no curto ou médio prazo, percentual que cai para 12% no longo prazo.
Baixa utilização do risco sacado
A pesquisa também mostra baixa adesão ao risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis. Apenas 13% das indústrias contrataram esse tipo de operação nos últimos 12 meses. Outros 5% afirmaram intenção de contratar, enquanto 54% não utilizaram nem pretendiam utilizar o instrumento. Já 29% não souberam ou preferiram não responder.
O risco sacado permite que o fornecedor receba o pagamento antecipado por meio de uma instituição financeira, enquanto o comprador se compromete a quitar o valor na data acordada.
A sondagem ouviu 1.789 empresas industriais entre os dias 1º e 12 de agosto do ano passado, sendo 713 de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte.
Fonte: Agência Brasil / Cenarium
Por: M3 Comunicação Integrada