Conta de luz e passagem aérea ajudaram a segurar o IPCA-15. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Última modificação em 27 de janeiro de 2026 às 10:19
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, foi de 0,20% em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com isso, o IPCA-15 iniciou 2026 com alta de 4,50% nos últimos 12 meses. Em janeiro de 2025, o índice havia subido 0,11%, quando registrou o menor avanço para o primeiro mês do ano desde o início do Plano Real.
Ainda assim, o indicador permanece acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, mas dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%.
O resultado ficou 0,05 ponto percentual (p.p.) abaixo do registrado em dezembro, quando o índice avançou 0,25%. A expectativa do mercado era de alta de 0,22% no mês e de 4,52% no acumulado em 12 meses.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, Habitação (-0,26%) e Transportes (-0,13%) registraram queda em janeiro. Por outro lado, Saúde e cuidados pessoais puxaram as altas do mês, com variação de 0,81%.
Variação dos grupos em janeiro
- Alimentação e bebidas: 0,31%
- Habitação: -0,26%
- Artigos de residência: 0,43%
- Vestuário: 0,28%
- Transportes: -0,13%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,81%
- Despesas pessoais: 0,28%
- Educação: 0,05%
- Comunicação: 0,73%
Saúde puxa os preços no mês
O grupo Saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto no índice em janeiro, com contribuição de 0,11 p.p., além da maior variação mensal, de 0,81%, após leve recuo em dezembro. Os principais destaques foram os produtos de higiene pessoal, que subiram 1,38%, e os planos de saúde, com alta de 0,49%.
O grupo Comunicação registrou a segunda maior variação, de 0,73%, influenciado principalmente pelo aumento de 2,57% nos preços dos aparelhos telefônicos.
Após queda em dezembro, os artigos de residência avançaram 0,43% em janeiro, impulsionados pelo aumento de 1,79% em itens de TV, som e informática.
Alimentação volta a subir
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio interrompeu sete meses consecutivos de queda e subiu 0,21%, com destaque para tomate, batata-inglesa, frutas e carnes. Entre os recuos, sobressaíram leite longa vida, arroz e café moído.
A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,56%, com avanço de 0,77% nos lanches e de 0,44% nas refeições.
Transportes e energia aliviam o índice
O grupo Transportes recuou 0,13%, pressionado principalmente pela queda das passagens aéreas e do ônibus urbano. O resultado refletiu, entre outros fatores, a adoção de tarifa zero aos domingos e feriados em algumas capitais.
Já o grupo Habitação apresentou queda de 0,26%, puxada principalmente pela redução de 2,91% na energia elétrica residencial, após a mudança da bandeira tarifária amarela para a verde em janeiro.
Avaliação dos economistas
Na avaliação do economista Maykon Douglas, a inflação segue em processo de desaceleração.
“A média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, voltando ao intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central”, afirmou.
Segundo ele, apesar da melhora geral, a inflação de serviços intensivos em trabalho segue pressionada.
“A média anualizada dos últimos três meses subiu de 7,6% para 8%, o maior patamar desde outubro de 2022, refletindo um mercado de trabalho ainda apertado”, explicou.
Douglas acrescenta que os dados reforçam a expectativa de manutenção dos juros no curto prazo.
“O Banco Central não deve cortar a taxa de juros na reunião desta semana, mas apenas em março”, disse.
Já o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, destacou que os indicadores em 12 meses mostram desaceleração.
“Apesar da piora marginal no curto prazo, a tendência anual segue favorável”, avaliou.
Ele também chamou atenção para os serviços intensivos em mão de obra.
“Eles continuam refletindo o dinamismo do mercado de trabalho e permanecem como um dos principais focos da política monetária”, afirmou.
Para Sung, o processo de desinflação continua em curso no país.
“Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda nos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil/ O Globo
Por: M3 Comunicação Integrada