A ONU aponta que os riscos da IA atingem crianças de forma direta e indiretamente. Foto: Divulgação / ONU
Última modificação em 28 de janeiro de 2026 às 09:56
A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta global sobre os riscos crescentes da inteligência artificial (IA) para crianças e adolescentes, diante da rápida expansão dessas tecnologias em ambientes digitais, educacionais e institucionais. O posicionamento consta em uma declaração conjunta assinada por organismos como Unicef, Unesco, OIT, ITU e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
Segundo o documento, embora a IA ofereça oportunidades para o desenvolvimento infantil, o uso sem salvaguardas adequadas pode ameaçar a segurança, a privacidade, o bem-estar e o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo de pessoas com menos de 18 anos. A ONU defende medidas urgentes de governança baseadas nos direitos da criança.
Exposição a conteúdos nocivos e riscos digitais
A ONU aponta que os riscos da IA atingem crianças de forma direta, quando interagem com sistemas automatizados, e indireta, quando decisões algorítmicas influenciam áreas como educação, justiça, segurança e políticas públicas. Entre as principais ameaças estão a exposição a deepfakes, discursos de ódio, conteúdos violentos ou sexuais, além de cyberbullying, aliciamento, exploração sexual e desinformação.
O documento também alerta para sistemas capazes de simular interações humanas, que podem gerar vínculos emocionais prejudiciais, especialmente em crianças pequenas, e para algoritmos de recomendação que direcionam conteúdos inadequados ao público infantil.
Proteção de dados e responsabilidade
A declaração reforça que a proteção de dados pessoais e da privacidade infantil deve ser central no uso da IA. Dados de crianças, inclusive biométricos, não devem ser coletados ou usados para treinar sistemas de IA sem consentimento informado de pais ou responsáveis.
A ONU cobra que os Estados criem marcos legais claros para responsabilizar empresas por danos causados por sistemas de IA e destaca a necessidade de alfabetização em inteligência artificial, diante da falta de preparo de crianças, famílias, educadores e gestores públicos para lidar com os impactos da tecnologia.
Fonte: Agência Cenarium
Por: M3 Comunicação Integrada