Infestação causa risco à saúde humana e ainda representa ameaças ao agronegócio em Roraima. Foto: Reprodução / Internet
Última modificação em 30 de outubro de 2025 às 09:31
Roraima vem enfrentando um problema que cresce silenciosamente e ameaça o modelo atual de negócios no Estado: a infestação de javalis selvagens. Conforme dados da Aderr, desde 2012 há registros da presença de javaporcos no município de Alto Alegre, um dos principais pontos de entrada da espécie no Estado de Roraima.
Atualmente, a infestação atinge os municípios de Bonfim, Cantá, Amajari e a capital, Boa Vista, com estimativas de que haja de 15 a 20 mil animais em circulação.
Os animais não são nativos da fauna local e sua presença representa um risco à saúde humana. Entre os impactos causados pela espécie, destacam-se os danos causados às lavouras, desequilíbrio ambiental e risco de transmissão de doenças, como raiva e peste suína africana.
O crescimento descontrolado da espécie pode ainda comprometer a exportação de carne suína em caso de surtos sanitários.
Audiência pública para debater o tema
Para abordar o tema, a Assembleia Legislativa de Roraima realizou uma audiência pública. O encontro debateu o avanço da população de javalis e javaporcos (cruzamento entre javalis e porcos domésticos) e os prejuízos gerados à agropecuária e ao meio ambiente.
Estiveram presentes representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr), gestores públicos do setor, além de produtores rurais e especialistas.
O presidente da Comissão de Agricultura da ALERR, deputado Armando Neto (PL), destacou que o debate será o ponto de partida para a elaboração de um projeto de lei que regulamente o controle populacional dos javalis e javaporcos em Roraima.
“Precisamos considerar três pilares: o produtor rural, a questão sanitária e o papel dos caçadores que realizam o controle com recursos próprios. A comissão vai reunir essas contribuições para apresentar uma proposta que proteja o povo de Roraima e as atividades produtivas”, declarou o parlamentar.
Ameaça a produção de grãos
O chefe do Programa de Sanidade Suína da Aderr, Murilo Borges Dias, apresentou dados técnicos sobre a ameaça que a espécie representa para o setor agropecuário.
“Esses animais já estão presentes e causando prejuízos econômicos diretos aos produtores, afetando pequenas propriedades e famílias inteiras. Eles competem com a fauna silvestre, predam os ovos e pequenos animais e representam riscos sanitários, como peste suína clássica, peste suína africana, febre aftosa e raiva. A maior concentração está nos municípios do entorno de Boa Vista, especialmente em Alto Alegre”, explicou Murilo.
Produtores rurais e caçadores
Segundo o presidente da Cooperativa Roraimense de Suinocultores, Frank Vieira Júnior, a expansão dos javaporcos já provoca efeitos sobre a produção agropecuária e exige uma resposta integrada.
“A entrada desses animais afeta diretamente a agricultura e a suinocultura. O estado vem crescendo na produção de soja e milho, e os javaporcos causam grandes prejuízos. Cerca de 80% da criação de suínos ainda é feita de forma extensiva, com animais soltos, o que facilita o cruzamento com javalis e aumenta o risco de doenças. É preciso que o Ibama e o governo do estado autorizem ações conjuntas com os criadores para controlar essa população”, afirmou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Caçadores ‘Aqui tem Javali’, Rafael Salerno, o problema do crescimento populacional de javalis é de alcance nacional e que o controle por meio da caça tem sido a principal alternativa utilizada em outros países.
“A presença do javali é uma ameaça ambiental e econômica. Em todo o mundo, ainda não há solução definitiva para o problema, mas o controle por caça autorizada é o método mais eficaz. Em Roraima, o desafio é agir rapidamente para evitar que a infestação avance. Viemos compartilhar experiências de outros estados e reforçar a necessidade de políticas públicas para conter essa expansão”, observou Salerno.
Fonte: ALE-RR
Por: M3 Comunicação Integrada