O avanço acelerado da automação tem ampliado o temor entre trabalhadores. Foto: Freepik
Última modificação em 27 de janeiro de 2026 às 11:05
Apesar das promessas otimistas feitas por líderes da indústria de tecnologia sobre os impactos positivos da inteligência artificial (IA), os Estados Unidos encerraram 2025 com um saldo expressivo de demissões. Ao todo, 1,2 milhão de cortes de empregos foram anunciados no país ao longo do ano, segundo relatório da consultoria Challenger, Gray & Christmas.
O número representa um aumento de 58% em relação a 2024, quando cerca de 760 mil demissões foram registradas. Trata-se do maior volume de cortes desde 2020 e de um patamar semelhante ao da crise financeira de 2008, quando 1,22 milhão de postos de trabalho foram eliminados.
O cenário contrasta com discursos de executivos como Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Elon Musk, da Tesla, que defendem a IA como uma tecnologia capaz de impulsionar a produtividade, criar empregos altamente qualificados e gerar ganhos amplos para a sociedade. Na prática, porém, o avanço acelerado da automação tem ampliado o temor entre trabalhadores.
Governo federal lidera cortes
O setor mais atingido em 2025 foi o governo federal, responsável por cerca de 308 mil demissões. A maior parte dos cortes ocorreu após a adoção de políticas agressivas de redução de custos promovidas pelo Departamento de Eficiência Governamental (Doge), liderado por Elon Musk.
As medidas afetaram diretamente agências como a Usaid, o Departamento de Educação e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, provocando paralisações e reestruturações profundas.
Tecnologia sente impacto da automação
Na iniciativa privada, o setor de tecnologia foi o mais impactado. Empresas da área anunciaram aproximadamente 154 mil demissões em 2025, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior.
De acordo com o relatório, a inteligência artificial esteve diretamente associada a 54.836 anúncios de demissão em 2025. Desde 2023, a tecnologia já foi citada em mais de 71 mil planos de cortes de empregos.
“A tecnologia passou a investir no desenvolvimento e na implementação da IA de forma muito mais rápida do que qualquer outro setor”, aponta o estudo. Segundo a consultoria, o movimento foi intensificado por uma correção após anos de contratações excessivas durante a pandemia.
CEOs admitem substituição de funções
Executivos de grandes empresas têm reconhecido publicamente que a IA já substitui parte do trabalho humano. A Microsoft, por exemplo, demitiu 15 mil funcionários em 2025, em duas rodadas. O CEO Satya Nadella afirmou que entre 20% e 30% do código da empresa já é escrito por inteligência artificial, enquanto a companhia investe cerca de US$ 80 bilhões em infraestrutura de IA.
A Meta também reduziu seu quadro em 5%, atingindo cerca de 3.600 funcionários. Segundo Mark Zuckerberg, a empresa busca acelerar a saída de profissionais considerados de baixo desempenho, em um contexto em que a IA se aproxima do nível de um engenheiro intermediário.
Na Amazon, o CEO Andy Jassy reconheceu que a empresa “precisará de menos pessoas para algumas funções”. Pouco depois, a Reuters informou planos de corte de até 30 mil postos de trabalho.
Jovens da geração Z são os mais afetados
Embora as demissões no setor tecnológico não sejam novidade, os profissionais em início de carreira têm sentido o impacto de forma mais intensa. Dados de 2025 da empresa Pave mostram que a participação de trabalhadores entre 21 e 25 anos nas grandes empresas de tecnologia caiu pela metade nos últimos dois anos.
Em companhias de capital aberto, esse grupo representava 15% da força de trabalho em janeiro de 2023. Em agosto de 2025, o índice caiu para 6,8%. Nas empresas privadas, a redução foi de 9,3% para 6,8% no mesmo período.
Segundo Matt Schulman, CEO da Pave, profissionais mais experientes ainda concentram habilidades difíceis de substituir. Já funções mais operacionais, comuns entre jovens no início da carreira, tendem a ser rapidamente automatizadas. “É como se fossem dois mundos diferentes”, afirmou em entrevista à revista Fortune.
Fonte: InfoMoney
Por: M3 Comunicação Integrada