
Última modificação em 19 de março de 2026 às 09:21
Diante da forte alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio, o governo federal tenta evitar que o aumento do diesel provoque um novo avanço da inflação em pleno ano eleitoral.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do diesel nos postos brasileiros subiu mais de 11% em apenas uma semana, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80.
A disparada está diretamente ligada à tensão geopolítica na região do Golfo Pérsico. Após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o conflito se intensificou, afetando o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial. Com a redução do tráfego, o barril saltou de cerca de US$ 60 no início do ano para aproximadamente US$ 110.
O cenário pressiona a Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. Com o custo do petróleo em alta, a estatal enfrenta o dilema entre repassar o aumento ao consumidor ou absorver parte do impacto, reduzindo sua margem de lucro.
Para conter os efeitos, o governo lançou um pacote de medidas. Entre elas, a isenção de impostos federais e a concessão de uma subvenção a produtores e importadores de diesel. A expectativa é de um gasto de R$ 30 bilhões para reduzir em até R$ 0,64 o valor por litro nas bombas. Como compensação, foi criado um imposto sobre a exportação de petróleo.
Mesmo assim, os efeitos ainda são limitados. A desoneração de PIS/Cofins representa cerca de 5% do preço final do combustível, o que levou o governo a complementar a estratégia com a subvenção.
Na tentativa de ampliar a redução, o governo solicitou aos estados a diminuição do ICMS, imposto que corresponde a quase 20% do preço do diesel. No entanto, os governadores rejeitaram a proposta, alegando risco de prejuízo às contas públicas e baixa garantia de repasse ao consumidor.
Diante do impasse, uma nova alternativa foi apresentada: zerar temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação parcial por parte da União. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida pode custar cerca de R$ 3 bilhões por mês, sendo metade ressarcida pelo governo federal. A decisão deve ser tomada até 28 de março.
A preocupação é considerada estratégica. O diesel é essencial para o transporte de mercadorias no país, e seu encarecimento impacta diretamente o custo de alimentos, produtos industriais e serviços.
Para evitar um agravamento do cenário, o governo também intensificou a fiscalização da tabela de frete, buscando garantir a sustentabilidade da atividade dos caminhoneiros e prevenir uma possível paralisação da categoria.
Segundo o economista Fábio Romão, da Logos Economia, os efeitos da alta do diesel devem pressionar a inflação ao longo de 2026.
“O impacto inicial será imediato, com a elevação do preço do combustível. Já os efeitos indiretos tendem a se espalhar pelos próximos seis meses”, afirma.
Fonte: G1
Por: M3 Comunicação Integrada