Folião deve estar atento principalmente em aplicativos de encontros. Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Última modificação em 16 de fevereiro de 2026 às 10:41
Imagens captadas durante o carnaval sem consentimento ou postagens feitas em tempo real podem expor foliões a riscos e crimes digitais. A advogada Maria Eduarda Amaral, especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual, explica que conteúdos publicados na internet podem ser manipulados ou usados indevidamente.
“Qualquer conteúdo que você posta na internet está suscetível a manipulações e utilizações indevidas”, alertou à Agência Brasil.
Entre os cuidados básicos, a especialista recomenda aceitar apenas pessoas conhecidas nas redes sociais, evitar exposição excessiva e não publicar localização em tempo real. Segundo ela, fotos com símbolos de trabalho ou estudo facilitam a identificação e tornam a pessoa mais vulnerável a golpes.
“Se a pessoa está curtindo o carnaval, é o momento em que ela está menos atenta. Isso facilita a disseminação de boatos ou ataques, porque a reação não será imediata”, explicou.
Intercorrências
No último carnaval, Maria Eduarda observou aumento de invasões de redes sociais, geralmente após acesso a wi-fi público ou links suspeitos. “As invasões acabam gerando golpes financeiros”, disse.
Outro problema são os chamados deepnudes — imagens falsas de nudez criadas com inteligência artificial a partir de fotos reais, especialmente de pessoas fantasiadas.
Golpes em aplicativos de relacionamento também preocupam. Criminosos usam fotos reais manipuladas para criar perfis falsos e atrair vítimas a encontros em locais inseguros, onde podem ocorrer roubos ou sequestros.
“Mesmo a videochamada deve ser feita com cautela e sem exposição excessiva do rosto, para evitar captura facial”, orientou.
Cuidados básicos
Antes de marcar encontros por aplicativos, a advogada recomenda verificar redes sociais, confirmar informações e observar se dados e rotinas coincidem. A videochamada pode ajudar na verificação, desde que sem envio de fotos íntimas.
O encontro deve ocorrer sempre em local público e movimentado, mesmo após todas as checagens.
Erros comuns
Segundo Maria Eduarda, mesmo vítimas cautelosas podem ser enganadas, especialmente quando o golpista conquista confiança ao longo do tempo e sugere encontros em locais ermos.
“Por mais que a pessoa passe por verificações, ainda deve exigir encontro em local público”, reforçou.
Prints e provas
Guardar provas é essencial para investigação. A recomendação é registrar prints de perfis, números, conversas e convites e enviar a alguém de confiança.
“Golpistas costumam apagar perfis e números depois. Sem registros, fica muito mais difícil identificar”, explicou.
Responsabilização
A vítima pode buscar responsabilização civil e criminal do golpista e, em alguns casos, das plataformas ou instituições envolvidas, como bancos. Em casos de deepfakes, há responsabilidade do autor e possibilidade de responsabilização da plataforma pela manutenção do conteúdo.
Maria Eduarda reforça que denunciar é fundamental e que não há vergonha em ser vítima. “Todos estamos sujeitos a esse tipo de situação”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada