Última modificação em 11 de março de 2026 às 08:49

Os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, somados ao risco de escassez global de petróleo e à valorização do dólar, provocaram uma alta de 8,63% no preço da gasolina em Boa Vista.
Na capital de Roraima, o litro do combustível, que custava R$ 6,95, sofreu dois reajustes em apenas uma semana. No sábado (7), ultrapassou a marca de R$ 7 pela primeira vez em um ano, chegando a R$ 7,15. Já nesta terça-feira (10), foi encontrado a R$ 7,55 em postos localizados na região central da cidade. O aumento também atingiu o diesel, que passou a ser vendido por até R$ 7,72.
A sequência de reajustes pegou consumidores de surpresa. A administradora Keila Saraiva, de 48 anos, classificou o aumento como “absurdo” e disse que a família terá de mudar a rotina para economizar.
“Agora vamos ter que sair somente em um carro, para tentar resolver o máximo de compromissos possível em um único dia, usando apenas um transporte, para não precisar abastecer os dois”, lamentou.
Para o agricultor William Ferreira, de 45 anos, que utiliza uma caminhonete movida a diesel, o aumento pesa diretamente no trabalho no campo.
“A gente usa maquinário, portanto isso vai dificultar a nossa vida. Nós vivemos como se fosse um pinto saindo do ovo, esmagado. Agora vai acabar de piorar. Para quem já estava se rastejando, corre o risco de parar de vez”, afirmou.
O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Roraima (Sindipostos-RR), João Victor Kotinski, reconheceu a preocupação com as altas sucessivas, mas disse esperar uma estabilização dos preços.
“Nossa torcida é que se concretize o plano do presidente Donald Trump para escoltar os navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, para que se reduza o risco de escassez e os preços comecem a voltar à normalidade. Não é de interesse das distribuidoras e muito menos dos postos que haja aumento, pois quanto mais caro o combustível, menor é a rentabilidade”, declarou.
Desde 2022, os preços dos combustíveis em Roraima passaram a ser influenciados pela política de paridade com o mercado internacional adotada pela Refinaria da Amazônia (Ream), em Manaus. Com isso, não há interferência da Petrobras, que mantém congelados os preços nacionais.
O economista Cícero Bezerra explica que a instabilidade no Oriente Médio impacta diretamente o mercado global de petróleo.
“O Irã detém cerca de 12% das reservas globais de petróleo, o que influencia diretamente o preço dos combustíveis no mercado internacional. E nós não temos como fugir dessa variação, principalmente aqui em Roraima. Além disso, o país controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial. Um conflito envolvendo um país com esse peso inevitavelmente afeta os preços”, afirmou.
Segundo ele, a tensão internacional fez o barril do petróleo subir de cerca de 72 dólares para picos de até 120 dólares, o que provoca impacto imediato no combustível distribuído aos consumidores.
É da refinaria de Manaus que as distribuidoras compram gasolina e diesel para abastecer os postos de Roraima, que posteriormente repassam os custos ao consumidor final.
No estado, o preço nas bombas é composto pelo valor de revenda, impostos — como ICMS, PIS/Cofins e Cide — e o frete de Manaus até Boa Vista. Na refinaria, o litro da gasolina custa cerca de R$ 3,46, enquanto o diesel sai por R$ 5,09, sem a incidência de tributos.
Em fevereiro, Roraima registrou os combustíveis mais caros do país, tanto para gasolina quanto para diesel, segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL).
Para o economista, a alta deve pressionar ainda mais outros preços da economia, como alimentos, medicamentos e transporte.
“O combustível, principalmente o diesel, impacta toda a cadeia produtiva, porque dele depende o transporte de insumos até o produto final que chega às prateleiras. Para quem precisa abastecer a cada dois ou três dias, como motoristas de aplicativo, taxistas e profissionais de frete, o impacto é grande. Até o transporte coletivo acaba sofrendo reajustes. Com o salário mínimo já bastante defasado, isso aperta ainda mais o orçamento das famílias, que acabam sendo obrigadas a cortar despesas”, concluiu.
Fonte: Folha de Boa Vista
Por: M3 Comunicação Integrada