Flávio e Eduardo Bolsonaro em reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Foto: Reprodução/Rede x
Última modificação em 27 de janeiro de 2026 às 08:44
Em um esforço para dar tração a uma pré-candidatura que ainda não se consolidou no cenário interno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou sua viagem a Israel em uma sequência de gestos políticos, diplomáticos e simbólicos com foco nas eleições de 2026.
A agenda internacional, articulada com participação ativa do irmão, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), combina encontros com autoridades estrangeiras, pedidos explícitos de apoio político e rituais religiosos voltados ao eleitorado conservador. Nos bastidores, aliados tratam o giro como uma tentativa de reposicionar a imagem do senador e ampliar sua estatura política.
Flávio desembarcou em Jerusalém no dia 19. Desde então, o entorno trabalha para apresentar a viagem como mais do que uma missão parlamentar. A leitura interna é de que se trata de um ensaio de política externa de um eventual governo, com foco em segurança, tecnologia e alinhamento com governos da direita internacional.
O ponto central da agenda é a Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, iniciada nesta segunda-feira (26). Convidado a discursar, Flávio fala nesta terça-feira (27), às 14h, no horário local. O evento reúne autoridades de diversos países e conta com a presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Antes mesmo do discurso do senador, Eduardo Bolsonaro fez um aceno explícito à pré-candidatura do irmão ao pedir apoio internacional durante sua participação no evento. “Nós vamos derrotar eles, a esquerda e o Lula. Meu irmão, senador Flávio Bolsonaro, vai concorrer à Presidência em outubro e eu peço que o apoiem. Meu pai poderia concorrer, mas está preso por lawfare”, afirmou.
No mesmo dia, Flávio participou de um jantar de gala com a presença de Netanyahu. Durante o discurso, o premiê israelense citou nominalmente os irmãos Bolsonaro ao saudar parlamentares estrangeiros. “Temos aqui membros de parlamentos, incluindo os dois irmãos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, do Brasil. É muito bom vê-los”, disse.
A aproximação com Netanyahu é tratada por aliados como um ativo político, explorado para apresentar Flávio como interlocutor em temas estratégicos e de Estado.
Paralelamente à agenda institucional, o senador cumpriu um roteiro de forte apelo religioso. No fim de semana, foi batizado no Rio Jordão, em cerimônia acompanhada pela esposa e por um pastor. Para aliados, o gesto reforça sua identidade pública e o vínculo com o eleitorado cristão.
A viagem internacional prossegue após a passagem por Israel. Flávio segue para o Bahrein entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro e, em seguida, para os Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro. A expectativa é de encontros com autoridades e empresários, com foco em cooperação econômica e estratégica.
No PL, o giro internacional é visto como parte de um esforço mais amplo de consolidação do nome de Flávio dentro do partido. Ao GLOBO, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha, afirmou esperar que esta seja “a última vez” que Flávio precise deixar o país em meio ao atual contexto político.
“Ele vai viajar o Brasil. São Paulo, Rio e Minas são os maiores colégios eleitorais. Isso ainda será conversado, não há nada definido”, disse Marinho.
Apesar da ofensiva externa, Flávio ainda enfrenta resistência entre partidos do centrão e lideranças regionais, que não o veem, por ora, como um nome naturalmente unificador do campo conservador. Ao investir em agendas internacionais e em imagens ao lado de líderes estrangeiros, a estratégia busca agregar estatura política e reforçar a ideia de que ele poderia chegar ao Planalto com uma agenda internacional própria.