Após quatro meses, a melhora na avaliação do governo Lula deixou de acontecer. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Última modificação em 12 de novembro de 2025 às 11:52
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro tiveram forte impacto negativo na percepção do governo e interromperam a tendência de melhora observada desde julho, segundo avaliação de Felipe Nunes, diretor do Instituto Quaest. A nova rodada da pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (12).
“As falas de Lula sobre a operação no Rio repercutiram mal. No país, 81% discordaram da declaração sugerindo que traficantes seriam ‘vítimas dos usuários’ — proporção semelhante à vista no Rio há uma semana”, afirmou Nunes.
De acordo com o levantamento, a aprovação de Lula oscilou para baixo, enquanto a desaprovação voltou a subir, configurando empate técnico entre os dois indicadores — cenário semelhante ao registrado em outubro.
Três fatores explicam o movimento
Felipe Nunes aponta três elementos centrais para o resultado:
No campo positivo para o governo:
- A melhora na percepção sobre a inflação, que caiu de 63% para 58% entre os que dizem que os preços subiram — o menor índice desde dezembro de 2023;
- O encontro de Lula com Donald Trump, considerado positivo por 45% dos entrevistados, enquanto 30% avaliaram que o presidente saiu mais fraco.
No campo negativo:
- As declarações sobre segurança pública. A pesquisa mostra que 81% discordam da fala de Lula de que “traficantes são vítimas dos usuários”, e 57% discordam da afirmação de que a operação foi “desastrosa”. Além disso, 51% acreditam que essas opiniões refletem o que Lula realmente pensa — e não um mal-entendido.
Perda de apoio entre eleitores independentes
O impacto foi mais forte entre os eleitores independentes, grupo que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.
Em outubro, havia empate técnico nesse segmento: 46% aprovavam e 48% desaprovavam o governo. Agora, a desaprovação subiu para 52%, e a aprovação caiu para 43%, diferença que não se via desde agosto. A margem de erro no grupo é de quatro pontos percentuais.
“Se o tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor de Lula, a pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente. Foi justamente nesse grupo que a tendência de melhora se inverteu”, avaliou Nunes.
Fonte: O Antagonista
Por: M3 Comunicação Integrada