
Última modificação em 8 de abril de 2026 às 10:54
A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode provocar uma queda de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a uma perda de R$ 76,9 bilhões. A estimativa faz parte de um levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria.
De acordo com o estudo, o setor mais impactado seria a indústria, com retração de 1,2% no PIB, o que representa cerca de R$ 25,4 bilhões. Segundo o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, isso ocorre porque o setor concentra grande parte dos empregos formais e possui forte integração com outras áreas da economia.
Além da indústria, outros segmentos também devem registrar perdas:
- Comércio: queda de 0,9% (R$ 11,1 bilhões)
- Serviços: queda de 0,8% (R$ 43,5 bilhões)
- Agropecuária: queda de 0,4% (R$ 2,3 bilhões)
- Construção: queda de 0,3% (R$ 921,8 milhões)
O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que a medida pode afetar a competitividade da indústria brasileira, com impactos no mercado interno e externo.
Efeito em preços e produção
O levantamento também indica que a redução da jornada tende a elevar os custos de produção, já que empresas precisariam manter o nível de atividade com menos horas trabalhadas. Esse aumento pode ser repassado ao consumidor final.
Segundo a CNI, os preços ao consumidor podem subir, em média, 6,2% caso a mudança seja aprovada. Entre os principais impactos projetados estão:
- Supermercados: +5,7%
- Alimentação fora de casa: +6,2%
- Produtos industrializados: +6%
- Roupas e calçados: +6,6%
- Serviços: +6,5%
Ainda conforme o estudo, o aumento de custos pode reduzir a competitividade dos produtos nacionais, estimulando importações e diminuindo exportações, o que impactaria a produção e a renda.
Debate no Congresso
A discussão sobre a redução da jornada está em análise no Congresso Nacional, por meio de propostas como a PEC 148/2015 e a PEC 8/2025.
A CNI defende que o tema seja debatido de forma mais ampla antes de uma eventual votação. Para Ricardo Alban, mudanças nas relações de trabalho devem ocorrer de maneira gradual e alinhadas ao aumento da produtividade.
Já o economista Marcelo Azevedo destaca que os efeitos da medida podem variar entre setores, regiões e portes de empresas, reforçando a necessidade de aprofundamento técnico antes de qualquer decisão.
Fonte: Brasil 61