
Última modificação em 27 de março de 2026 às 11:15
O uso crescente de ferramentas de Inteligência Artificial, especialmente chatbots baseados em grandes modelos de linguagem (LLMs), pode estar padronizando a forma como as pessoas escrevem, falam e até pensam. O alerta é de cientistas e psicólogos em artigo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences.
Segundo os pesquisadores, a adoção massiva dessas tecnologias pode levar à homogeneização das expressões humanas, reduzindo a diversidade cognitiva — um fator essencial para a criatividade e a capacidade de adaptação da sociedade.
O cientista da computação Zhivar Sourati, autor principal do estudo, afirma que os indivíduos possuem estilos próprios de linguagem e raciocínio, mas que essas diferenças tendem a ser diluídas quando mediadas por sistemas de IA.
“Quando essas interações passam pelos modelos de linguagem, os estilos e perspectivas se tornam mais uniformes, gerando padrões semelhantes entre os usuários”, destacou.
Risco de uniformização global
De acordo com o estudo, à medida que mais pessoas utilizam os mesmos sistemas para tarefas como escrita e comunicação, há uma tendência de redução da variedade de ideias e formas de expressão. Textos revisados por IA, por exemplo, podem ganhar clareza e correção gramatical, mas perder características individuais.
Os pesquisadores também apontam que os conteúdos gerados por LLMs refletem, em grande parte, valores de sociedades ocidentais, industrializadas e altamente escolarizadas — um recorte conhecido como padrão WEIRD — o que pode limitar ainda mais a diversidade cultural e de pensamento.
Impactos na criatividade e no comportamento social
Embora o uso de IA possa aumentar a produtividade individual e até estimular a geração de ideias, o estudo indica que grupos que utilizam essas ferramentas tendem a apresentar menor criatividade coletiva em comparação àqueles que trabalham sem o auxílio da tecnologia.
Outro ponto de atenção é o efeito indireto: mesmo pessoas que não utilizam IA podem ser influenciadas por padrões de linguagem e pensamento predominantes em seu entorno social, o que reforça o processo de padronização.
Desafio para o futuro
Como alternativa, os pesquisadores defendem que desenvolvedores ampliem a diversidade dos dados utilizados no treinamento dos modelos, incorporando diferentes culturas, idiomas e formas de pensar. A medida, segundo o estudo, ajudaria a preservar a pluralidade humana e, ao mesmo tempo, aprimorar a qualidade das próprias ferramentas de IA.
O debate reforça a necessidade de equilibrar os avanços tecnológicos com a preservação da diversidade
Fonte: G1 // Por: M3 Comunicação Integrada