Professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e doutor em geologia, Vladimir Souza. Foto: M3 Comunicação Integrada
Última modificação em 6 de novembro de 2025 às 11:33
O episódio #40 do podcast Papo M3 Realidades vai ao ar nesta quinta-feira (06) e tem um convidado com um currículo impressionante, o professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e doutor em geologia, Vladimir Souza.
Em mais de uma hora de conversa, o Vladimir Souza, abordou com leveza e muito conhecimento sobre a descoberta de fósseis de dinossauros em Roraima e a gravidade de quem compreende o peso — político, ambiental e econômico — dessa revelação para o Estado.
Entre risos, reflexões, histórias dos bastidores da ciência e uma pitada de misticismo, ele traçou um panorama de como a ciência está reposicionando o orgulho regional, mesmo diante da escassez de recursos.
Em 2024, o anúncio da descoberta dos primeiros fósseis de dinossauros no Estado ganhou repercussão nacional e internacional, colocando Roraima “no mapa” de uma ciência que, até então, orbitava majoritariamente em regiões do Sul e Sudeste. Para Vladimir, a mudança é simbólica. “Antes só se falava de coisa ruim daqui: massacre indígena, garimpo ilegal. Hoje o roraimense pode bater no peito e dizer ‘temos dinossauros’”, afirmou.
O orgulho, diz ele, agora é coletivo. “Já perdi a paternidade da descoberta. Os dinossauros são do povo de Roraima. Quando até o motorista de aplicativo me para pra dizer ‘agora tenho orgulho de morar aqui’, eu sei que deixamos um legado”.
Entre dinossauros e terras raras
A conversa, porém, não se limitou ao passado pré-histórico do Estado. O geólogo revelou detalhes sobre outra descoberta monumental: a possível existência de uma das maiores reservas de terras raras do mundo — minerais estratégicos usados na produção de microchips, painéis solares, carros elétricos e tecnologia de ponta. A área, que pode transformar a economia do Estado, já atraiu um movimento frenético de investidores, incluindo estrangeiros.
“Já encontramos equipes de geólogos chineses na área, com equipamentos de ponta, analisando o teor em tempo real diretamente para Pequim”, relatou. Com humor, ele lembrou o próprio choque: “Pensei, ‘se eu tivesse trilhões, compraria isso pra mim’. Mas aí entra a cautela: o Estado brasileiro sempre perde quando não há controle técnico-científico”.
Por isso, Vladimir defende que a universidade tenha papel ativo nas decisões. “Quem segura isso é a ciência. Somos chamados para dar parecer ambiental, técnico. Os investidores nos procuram porque sabem que sem laudos sérios, não tem legitimidade”.
Energia, minerais e… vibrações
Além das terras raras, Vladimir tocou num ponto místico: a energia das pedras. Pedras como quartzo, ônix ou jaspe, trazem energia mesmo? Vladimir respondeu em tom aberto, quase filosófico: “O universo é pura energia. Se um meteorito, ao cair, pode alterar a vida na Terra, por que um mineral não poderia influenciar você? Existem campos energéticos, e nem tudo se explica com as fórmulas da geologia”.
Entre técnica e intuição, a conversa terminou com música. “As notas são vibração, energia. Assim como as rochas, que carregam histórias de milhões de anos. Tudo tem vida. Tudo vibra”, finalizou o professor, antes de voltar aos trabalhos de campo — onde a ciência encontra, literalmente, seu chão.
A entrevista completa já está disponível no perfil oficial do podcast Papo M3 Realidades.
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Por: M3 Comunicação Integrada