A homenagem ocorreu após o TSE rejeitar tentativas de barrar o enredo. Foto: Alex Ferro/ Riotur
Última modificação em 16 de fevereiro de 2026 às 09:35
A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí, na noite de domingo (15), um desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que incluiu críticas a adversários e menções a pautas do governo. A apresentação provocou reação imediata de parlamentares da oposição, que classificaram o conteúdo como campanha antecipada.
O enredo citou o ex-presidente Michel Temer e retratou Jair Bolsonaro como “Bozo”, referência ao personagem de TV. Alas também abordaram temas como taxação de bilionários, bancos e casas de apostas, além da defesa do fim da escala de trabalho 6×1 — proposta que Lula tem sinalizado discutir.
Uma ala tratou explicitamente da mudança na jornada 6×1, apresentada como bandeira trabalhista alinhada ao discurso histórico do petista. Nas redes e no Congresso, parlamentares do PL e de outros partidos afirmaram que o desfile teve caráter político-eleitoral e questionaram o uso de recursos públicos destinados às escolas do Grupo Especial. O senador Flávio Bolsonaro disse que acionará o Tribunal Superior Eleitoral contra o que chamou de “crimes” na homenagem.
Aliados do governo reagiram afirmando que o Carnaval historicamente aborda temas políticos e que não houve pedido explícito de votos na avenida.
Presença de Lula e ministros
O presidente chegou à Sapucaí por volta das 20h25 e permaneceu no camarote da Prefeitura do Rio por mais de oito horas. Ao aparecer ao lado do prefeito Eduardo Paes, foi ovacionado pelo público, que entoou “olê, olê, olá, Lula, Lula”. Aplausos se repetiram antes do desfile e quando a escola entrou na avenida, às 22h.
O camarote reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros como Camilo Santana, Alexandre Padilha, Alexandre Silveira, Esther Dweck, Gleisi Hoffmann, Anielle Franco e Margareth Menezes. Também estiveram presentes o deputado Lindbergh Farias, a presidente da Petrobras Magda Chambriard e o presidente do BNDES Aloizio Mercadante, além de artistas convidados.
Sob alerta de possíveis acusações de propaganda eleitoral irregular, o Palácio do Planalto proibiu a participação de ministros no desfile e vedou uso de verba pública para custear presença na Sapucaí. A primeira-dama Janja da Silva foi liberada por não ocupar cargo público, mas acompanhou apenas como espectadora. A cantora Fafá de Belém desfilou em seu lugar.
A homenagem ocorreu após o TSE rejeitar tentativas de barrar o enredo antes da apresentação, com alerta para evitar atos que configurassem propaganda antecipada.
Fonte: InfoMoney
Por: M3 Comunicação Integrada