
Última modificação em 19 de março de 2026 às 11:30
A evasão no ensino superior brasileiro segue elevada, com maior impacto nos cursos à distância. Em 2024, 41,6% dos estudantes da modalidade EAD abandonaram a graduação antes da conclusão, segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, elaborado pelo Instituto Semesp. No ensino presencial, a taxa também chama atenção: 24,8%.
A evasão é caracterizada pela saída do aluno do curso antes da obtenção do diploma, seja por abandono ou desistência formal. Mesmo com a retomada do crescimento das matrículas após a pandemia, os dados mostram dificuldades na permanência dos estudantes, especialmente na rede privada e na educação à distância.
Em 2024, a EAD se tornou majoritária no país, concentrando 50,7% das matrículas do ensino superior. O avanço, no entanto, veio acompanhado de índices de evasão mais altos. Na rede privada — que reúne 95,9% dos alunos da modalidade — a taxa chegou a 41,9%, enquanto na rede pública foi de 32,2%.
Nos cursos presenciais, a evasão também é maior nas instituições privadas: 26,6% dos alunos deixaram os cursos em 2024, contra 21,4% na rede pública, evidenciando desigualdades entre os sistemas.
Desistência maior entre adultos e em grandes instituições
A análise ao longo do tempo revela um cenário ainda mais preocupante. Entre 2020 e 2024, a taxa de desistência acumulada na rede privada chegou a 64,7% — ou seja, quase dois em cada três alunos não concluíram o curso. Na EAD, esse índice foi ainda maior: 68,1%.
O levantamento aponta que a evasão é mais frequente entre estudantes mais velhos, perfil predominante na modalidade à distância. Em 2024, 67,3% dos alunos da EAD tinham 25 anos ou mais. A dificuldade de conciliar estudo, trabalho e renda aparece como um dos principais fatores para o abandono.
Outro ponto destacado é o porte das instituições: quanto maior a mantenedora, maior a evasão. Em instituições privadas de grande porte, a taxa acumulada chegou a 69,2%, contra 53,3% nas de menor porte — cenário associado à expansão da EAD em grandes grupos educacionais.
Permanência ainda é desafio
Apesar do crescimento de 2,5% nas matrículas entre 2023 e 2024, o estudo aponta que o acesso ao ensino superior não tem se traduzido em conclusão de curso. A taxa de permanência — que mede quantos alunos seguem matriculados — continua baixa, sobretudo na rede privada e na EAD.
Para os pesquisadores do Semesp, a evasão deixou de ser pontual e se tornou um problema estrutural. O diagnóstico indica a necessidade de políticas que vão além do acesso, com foco em permanência, apoio acadêmico e ampliação de mecanismos de financiamento estudantil.
Mesmo com avanços pontuais, como a leve queda na evasão presencial em relação a 2023, o cenário reforça que formar alunos segue sendo um desafio maior do que matriculá-los, especialmente em um sistema cada vez mais concentrado e dependente da educação à distância.
Outros destaques do levantamento:
- O sistema está mais concentrado: 1,2% das instituições privadas concentram 55,1% das matrículas
- Centros universitários cresceram 201% em dez anos e já reúnem 42% dos alunos da rede privada
- A taxa de escolarização de jovens de 18 a 24 anos ficou em 20,8%, praticamente estagnada
- Cursos como Direito, Administração, Enfermagem, Psicologia e Pedagogia seguem entre os mais procurados
- Programas como Fies e Prouni têm participação reduzida entre os ingressantes
O levantamento reforça que, apesar da expansão do acesso, garantir a permanência e a conclusão do ensino superior ainda é um dos principais desafios da educação no Brasil.
Fonte: G1