
Última modificação em 12 de março de 2026 às 10:26
A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar a doença renal como prioridade global de saúde pública desde maio de 2025. Com a decisão, a doença renal crônica (DRC) foi incluída entre as principais doenças crônicas não transmissíveis, ao lado de problemas cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas.
Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o reconhecimento internacional amplia a visibilidade da doença e reforça a necessidade de investir em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. No Dia Mundial do Rim, lembrado nesta quinta-feira (12), a entidade também chamou atenção para os impactos de fatores ambientais no desenvolvimento de doenças renais ao longo da vida.
Segundo a sociedade médica, o debate vai além do tratamento da doença e envolve também práticas de cuidado mais sustentáveis e prevenção desde as fases iniciais da vida.
Função dos rins no organismo
Em entrevista à Agência Brasil, o médico nefrologista Geraldo Freitas, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), explicou que os rins são órgãos essenciais para o funcionamento do corpo.
De acordo com o especialista, eles são responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas pela urina e manter o equilíbrio de substâncias importantes no organismo.
“Eles controlam o equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, como sódio, potássio e cálcio, o que garante o funcionamento adequado do organismo. Também produzem hormônios importantes relacionados ao controle da pressão arterial”, explicou.
Fatores de risco
O especialista alerta que diversas condições podem comprometer o funcionamento dos rins e levar ao desenvolvimento de doença renal crônica.
Entre os principais fatores de risco estão:
- diabetes mellitus
- hipertensão arterial
- histórico familiar de doença renal
- obesidade
- sedentarismo
- tabagismo
- uso frequente ou inadequado de anti-inflamatórios
- doenças cardiovasculares
- infecções urinárias recorrentes ou obstruções no trato urinário
- desidratação frequente
- consumo insuficiente de água
Freitas destaca ainda que alguns medicamentos podem ser tóxicos para os rins, especialmente os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser usados com cautela e sempre com orientação médica.
Doença pode avançar sem sintomas
Segundo o nefrologista, um dos principais desafios no combate à doença renal é o fato de que ela pode evoluir de forma silenciosa.
“Muitas vezes os pacientes chegam ao consultório já com perdas importantes da função renal, porque a doença pode avançar sem sintomas evidentes no início”, explicou.
Por isso, especialistas recomendam a realização periódica de exames simples para avaliar a saúde dos rins, como a dosagem de creatinina no sangue e exames de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. A medição da pressão arterial e exames para detecção de diabetes também são importantes para identificar riscos.
Sintomas de alerta
Alguns sinais podem indicar problemas renais e exigem avaliação médica. Entre eles estão:
- inchaço nas pernas, tornozelos ou rosto
- urina escura ou com espuma
- alterações no padrão urinário
- aumento da urina durante a noite
- dor intensa na região lombar ou cólicas renais
- fadiga excessiva
- perda de apetite com náuseas e vômitos
- pressão arterial elevada
- dificuldade para controlar a glicemia
- confusão mental ou falta de ar repentina
Especialistas reforçam que a prevenção, com hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular, é fundamental para reduzir o risco de desenvolver doença renal crônica e evitar complicações.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada