
Última modificação em 9 de abril de 2026 às 10:03
O uso do crédito rotativo do cartão — considerado o mais caro do mercado — disparou no Brasil e se aproximou de R$ 400 bilhões em 2025, segundo dados do Banco Central do Brasil. A modalidade é vista como uma das principais responsáveis pelo alto nível de endividamento da população.
De acordo com o BC, cerca de 101 milhões de brasileiros utilizam cartão de crédito, o que representa quase metade da população. Desses, aproximadamente 40 milhões estavam endividados no rotativo em janeiro deste ano.
O rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura até a data de vencimento. Com juros elevados — que chegaram a 436% ao ano em fevereiro —, essa linha de crédito tem alto risco de inadimplência. Atualmente, a taxa está em 63,5%, o que significa que mais da metade das dívidas não é quitada.
Para efeito de comparação, outras modalidades, como o crédito consignado, apresentam juros bem mais baixos, variando entre cerca de 24% e 60% ao ano.
Uso como “renda extra” preocupa
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que muitos brasileiros passaram a usar o rotativo como complemento de renda, quando deveria ser uma alternativa emergencial.
Segundo ele, o desafio é criar opções de crédito mais adequadas e sustentáveis para os consumidores, evitando o agravamento das dívidas.
Pós-pandemia impulsionou alta
Os dados mostram que o crescimento do rotativo ganhou força após o fim da pandemia de COVID-19. Com o encerramento do auxílio emergencial e o aumento da inflação, o uso dessa modalidade avançou rapidamente.
Entre 2012 e 2020, o volume anual não havia ultrapassado R$ 225 bilhões. Já no período pós-pandemia, os números dispararam, alcançando o patamar atual próximo de R$ 400 bilhões.
Medidas para conter o endividamento
Em 2024, o governo e o Congresso limitaram o crescimento das dívidas no rotativo. Pela regra, o valor total não pode ultrapassar o dobro da dívida original — ou seja, uma dívida de R$ 100 não pode superar R$ 200 com juros e encargos.
Além disso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda novas medidas para reduzir o endividamento. Entre elas, está a criação de um programa para unificar dívidas (como cartão, cheque especial e crédito pessoal) com descontos que podem chegar a até 90% nos juros.
Outra proposta em análise prevê o uso de recursos do FGTS como garantia para empréstimos, com o objetivo de reduzir taxas e facilitar a renegociação.
Orientação
Especialistas recomendam evitar o uso do crédito rotativo sempre que possível e priorizar o pagamento integral da fatura do cartão, como forma de fugir dos juros elevados e do risco de inadimplência.
Fonte: G1