Alagamentos deixaram milhares desabrigados. Foto: Sérgio Vale/Agência de Notícias do Acre - Arquivo
Última modificação em 16 de fevereiro de 2026 às 10:04
Os desastres naturais provocaram cerca de US$ 5,4 bilhões (aproximadamente R$ 28 bilhões) em perdas financeiras no Brasil em 2025, segundo relatório divulgado pela consultoria global de riscos Aon em fevereiro.
O levantamento aponta que secas sazonais em diversas regiões do país — especialmente na Amazônia, que enfrenta uma das estiagens mais severas e prolongadas já registradas — foram o principal fator de prejuízo, com forte impacto sobre a produção agrícola e o abastecimento hídrico.
Apesar de sinais de recuperação no Sudeste, o quadro na Amazônia continua agravando a instabilidade regional. A escassez de água também afetou a matriz energética: a participação da geração hidrelétrica, historicamente próxima de 66% da eletricidade nacional, caiu para menos de 50% em agosto de 2025.
Impacto agrícola e riscos globais
A estiagem representa ameaça direta à produção de café, com potencial de interromper cadeias globais de suprimento. Além do Brasil, países como Colômbia e Vietnã concentram grande parte da produção mundial do grão.
Dados históricos mostram a dimensão do problema: o Brasil acumulou cerca de US$ 139 bilhões (R$ 726 bilhões) em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos. Projeções da Aon indicam que cenários de alta escassez hídrica podem colocar em risco até 54% das colheitas globais até 2050.
Necessidade de adaptação e gestão de riscos
Para Beatriz Protasio, CEO de Resseguros da Aon no Brasil, o aumento dos eventos climáticos extremos exige políticas de mitigação e adaptação. Entre as medidas citadas estão investimentos em infraestrutura resiliente, sistemas de alerta precoce e instrumentos de transferência de risco, como o seguro paramétrico — que permite indenizações rápidas em caso de catástrofes climáticas.
A executiva também destaca o uso de ferramentas de monitoramento, como o Climate Risk Monitor (CRM), plataforma baseada em dados e modelos preditivos que auxilia empresas e governos a avaliar e reduzir a exposição a riscos climáticos.
Fonte: InfoMoney
Por: M3 Comunicação Integrada