A demanda cresceu 88% em apenas um ano. Foto: Florian Gaertner/Photothek via Getty Images
Última modificação em 15 de janeiro de 2026 às 10:32
A explosão do consumo de canetas emagrecedoras transformou esses medicamentos em um dos principais itens da pauta de importações do Brasil. Em 2025, a compra de fármacos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro alcançou US$ 1,669 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 9 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O avanço foi acelerado: a demanda cresceu 88% em apenas um ano, impulsionada pelo uso desses medicamentos no tratamento da obesidade e também para fins estéticos. Como não há produção nacional dessas drogas, o aumento do consumo aparece diretamente na balança comercial brasileira.
O volume importado já supera o de produtos tradicionalmente fortes no comércio exterior, como telefones celulares, salmão e azeite de oliva, um indicativo claro da força desse novo mercado no país.
Dinamarca ainda lidera, mas EUA avançam rapidamente
A Dinamarca, sede da farmacêutica Novo Nordisk — fabricante do Ozempic e do Wegovy —, segue como principal origem das importações, respondendo por 44% do total, o que representa US$ 734,7 milhões em 2025.
No entanto, a geografia desse mercado vem mudando rapidamente. Os Estados Unidos já ocupam a segunda posição, com 35,6% das importações, ou US$ 593,7 milhões, impulsionados pela expansão da Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro.
Os números revelam ritmos bastante distintos entre os dois países. Enquanto as compras de medicamentos vindos da Dinamarca cresceram 7% no ano, as importações originárias dos EUA dispararam impressionantes 992% no mesmo período.
O salto indica que o crescimento recente do mercado brasileiro não está mais concentrado apenas no Ozempic, mas na rápida adoção do medicamento concorrente norte-americano, que vem ganhando espaço de forma agressiva.
Mercado ainda longe do limite
As perspectivas para o setor seguem expansivas. Um relatório do Itaú BBA estima que o mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1 pode crescer dos atuais US$ 1,8 bilhão por ano para cerca de US$ 9 bilhões até 2030, o equivalente a aproximadamente R$ 50 bilhões.
No curto prazo, um fator adicional deve intensificar ainda mais a demanda: a quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic. A entrada de versões genéricas tende a reduzir preços e ampliar significativamente o acesso aos tratamentos, o que pode provocar novo salto nas importações e no consumo interno.