Centro Comercial de Boa Vista, Caxambu – Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Última modificação em 28 de outubro de 2025 às 11:11
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) voltou a recuar em outubro e atingiu 95,7 pontos, após ajuste sazonal, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Essa é a quarta queda seguida e o menor nível registrado desde maio de 2021, quando o índice marcou 94,7 pontos. O indicador segue abaixo da linha de 100 pontos – considerada zona de confiança – pelo segundo mês consecutivo.
Entre julho e outubro, o Icec acumula retração de 10,3%, movimento não visto desde o início da pandemia de covid-19. Em setembro, 46% dos varejistas afirmaram esperar piora da economia – o maior nível de pessimismo desde julho de 2020.
“Os dados confirmam a percepção de cautela sobre os negócios, pressionados pela taxa de juros elevada, incerteza econômica e deterioração das expectativas para os próximos seis meses”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Investimentos e contratações perdem intensidade
O subíndice que mede as intenções de investimento recuou para 99,6 pontos, entrando em zona de pessimismo pela primeira vez desde novembro de 2023. A queda foi de 4,0% em relação ao ano passado.
A maior retração ocorreu no indicador de contratação de funcionários, que caiu de 121,1 pontos em junho para 112,3 em setembro, uma redução mensal de 4,2% e anual de 5,9%. Já os investimentos em expansão das empresas recuaram para 94,7 pontos, refletindo diretamente o impacto da taxa Selic elevada sobre o custo do crédito.
O setor de bens duráveis — que inclui eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e veículos — foi o mais afetado, com queda anual de 13,7% no Icec. Trata-se de um segmento altamente sensível às condições de financiamento.
Expectativas para o futuro também enfraquecem
O componente de expectativas, que mede a percepção dos empresários para os próximos seis meses, passou de 134,9 pontos em julho para 119,3 em setembro, queda de 11,6% no trimestre e de 12,9% no comparativo anual.
Com a combinação de juros altos, custo de crédito elevado e incerteza econômica, o comércio inicia o quarto trimestre sob cenário de cautela. Apesar da expectativa de melhora sazonal com Black Friday e Natal, economistas avaliam que a recuperação mais consistente depende da redução da Selic, manutenção da geração de empregos e maior previsibilidade política.
Fonte: Ascom CNC
Por: M3 Comunicação Integrada