Intercâmbio comercial entre Brasil e China somou mais de US$ 38,8 bilhões. Já entre Brasil e Estados Unidos o valor ultrapassou a marca de US$ 20 bilhões. Foto: Reprodução
Última modificação em 15 de abril de 2025 às 10:26
As correntes de comércio entre o Brasil e seus dois principais parceiros comerciais, China e Estados Unidos, atingiram patamares recordes no primeiro trimestre de 2025. O marco ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre as duas potências, que já começa a impactar os fluxos de exportação e importação globais.
Entre janeiro e março, o intercâmbio comercial entre Brasil e China somou mais de US$ 38,8 bilhões, com exportações brasileiras alcançando US$ 19,8 bilhões e importações totalizando US$ 19 bilhões. A balança comercial segue superavitária para o Brasil, apesar do crescimento expressivo nas compras de produtos chineses.
As importações vindas da China aumentaram 35% no período. O principal destaque foi o grupo de “Plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes”, que movimentou US$ 2,7 bilhões — um salto impressionante frente aos US$ 4 milhões registrados no mesmo período de 2024.
Em contrapartida, o país reduziu a importação de alguns itens chineses. As compras de válvulas e tubos, por exemplo, caíram 77% em relação ao ano anterior.
O governo federal acompanha de perto o avanço das importações, especialmente diante da expectativa de um aumento ainda maior com a adoção de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos. A ofensiva tarifária liderada por Donald Trump pode redirecionar o excedente chinês ao mercado brasileiro, elevando a pressão sobre a indústria nacional.
Relação com os EUA também bate recorde
No mesmo período, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos também registrou crescimento inédito, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 20 bilhões em um primeiro trimestre. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 9,7 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 10,3 bilhões — um aumento de 6,6% na comparação com 2024.
Apesar do recorde, a balança comercial brasileira com os EUA permaneceu deficitária.
Entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, seis dos dez mais relevantes registraram crescimento. Destacam-se:
- Sucos (+74,4%)
- Óleos combustíveis (+42,1%)
- Café não torrado (+34%)
- Aeronaves (+14,9%)
- Semiacabados de ferro ou aço (+14,5%)
Do lado das importações, oito dos dez principais itens norte-americanos cresceram no período. Os maiores aumentos foram:
- Óleos brutos de petróleo (+78,3%)
- Medicamentos (+42,4%)
- Motores e máquinas não elétricos (+42,3%)
- Outros produtos farmacêuticos (+29,1%)
- Óleos combustíveis (+9,4%)
- Aeronaves (+8,1%)
O avanço nas trocas comerciais com as duas maiores economias do mundo consolida o Brasil como destino estratégico em um cenário global de reconfiguração comercial, pressionado por disputas tarifárias e realinhamentos logísticos.
Fonte: CNN Brasil
Por: M3 Comunicação