Desde o início da operação, em março de 2024, foram realizadas cerca de 9 mil ações. Foto: Operação Catrimani
Última modificação em 26 de janeiro de 2026 às 09:32
Boa Vista (RR) – As ações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami já provocaram um prejuízo estimado em R$ 645,3 milhões às organizações criminosas que atuam na região. O impacto financeiro é resultado da Operação Catrimani II, conduzida pelas Forças Armadas em conjunto com órgãos de segurança e agências federais, segundo balanço consolidado até 21 de janeiro de 2026.
O valor corresponde a equipamentos, aeronaves, pistas clandestinas, combustíveis e estruturas de apoio apreendidos ou destruídos, sem incluir as perdas decorrentes da paralisação das atividades ilegais. As ações têm como foco desarticular a logística do garimpo, especialmente o transporte aéreo e fluvial, considerado o principal elo de sustentação da atividade criminosa na região.
Desde o início da operação, em março de 2024, foram realizadas cerca de 9 mil ações, com 49.444 abordagens e 328 prisões, de acordo com dados oficiais. Ao longo desse período, as forças envolvidas inutilizaram 778 acampamentos clandestinos, 78 pistas de pouso ilegais e 45 aeronaves usadas para abastecer os garimpos.
Também foram apreendidos ou destruídos 232 quilos de mercúrio, substância tóxica utilizada na extração do ouro, além de 236 mil litros de óleo diesel, insumo essencial para o funcionamento das dragas e para o transporte de equipamentos. Estudos já divulgados por órgãos ambientais apontam que o uso do mercúrio tem contaminado rios e peixes, afetando diretamente a saúde das comunidades indígenas da região.
Além das ações repressivas, a operação também inclui medidas de apoio humanitário. Navios da Marinha realizaram atendimentos médicos e odontológicos a 2.264 ribeirinhos, com a distribuição de mais de 60 mil medicamentos. Houve ainda apoio logístico à recuperação de Unidades Básicas de Saúde Indígena, com envio de materiais para infraestrutura e geração de energia.
Operações em 2025
Em abril de 2025, a Operação Tormenta I concentrou ações na região conhecida como “Rangel”, após levantamento de inteligência que identificou pistas clandestinas e estruturas de apoio ao garimpo. A ofensiva resultou na destruição de maquinários, combustíveis e materiais usados na extração ilegal, além da prisão de seis pessoas em flagrante. A ação envolveu operações terrestres, aéreas e fluviais, com cerca de 70 horas de voo.
Entre julho e agosto, as operações Flecha Noturna IV e Urihi intensificaram o bloqueio das rotas aéreas do garimpo ilegal. Na Flecha Noturna IV, uma pista clandestina foi novamente inutilizada com o uso de explosivos para dificultar sua reconstrução. Já a Operação Urihi marcou a 60ª interdição de pista clandestina no âmbito da Catrimani II, com a neutralização da pista “Espadim”, às margens do rio Uraricoera.
A Operação Legionário, realizada posteriormente, levou à interdição de três pistas clandestinas, destruição de duas dragas metálicas, desmonte de acampamentos e prisão de 15 suspeitos. Durante a ação, também foram apreendidos equipamentos de comunicação via satélite, combustíveis, minérios, armas, munições e entorpecentes.
A Operação Catrimani II segue em andamento e tem como objetivo reduzir a presença do garimpo ilegal, conter crimes ambientais e enfraquecer as redes que sustentam a atividade na Terra Indígena Yanomami.
Fonte: Exercito
Por: M3 Comunicação Integrada